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Reportagem |
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| edição 56 - Janeiro 2007 |
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| Aplicações dos animais transgênicos |
| O aperfeiçoamento genético de animais para fins científicos, médicos e econômicos ganhou enorme ímpeto com a técnica da transgênese. Produtos originários de organismos transgênicos tendem a se tornar cada vez mais difundidos |
| por João B. Pesquero, Heloisa A. Baptista, Fabiana L. T. Motta e Suzana M. de Oliveira |
[continuação]
A modificação genética dirigida ou controlada inclui uma etapa a mais que a adição gênica: a cultura de células-tronco embrionárias. Essas células são modificadas in vitro (fora do organismo vivo, em tubo de ensaio) por um processo denominado recombinação homóloga - a troca de seqüências de DNA correspondentes entre cromossomos, que ocorre naturalmente no núcleo das células - e dão origem a um animal com um gene inativado ou alterado. O princípio dessa técnica é a substituição de um gene-alvo por uma seqüência mutada que, uma vez introduzida, irá inativá-lo ou modificá-lo. O primeiro grande êxito dos pesquisadores, no final da década de 80, foi conseguir isolar e manter células-tronco indiferenciadas in vitro e, pouco mais tarde, com a injeção deles em embriões receptores, produzir camundongos quiméricos - formados por duas linhagens de células geneticamente distintas, uma originária das células-tronco modificadas que foram injetadas (de animais de pelagem escura) e outra do blastocisto receptor (originadas de animais de pelagem clara). O animal resultante desse processo apresenta pelagem malhada. Isso provou definitivamente que essas células são capazes de iniciar o processo de diferenciação e produzir um indivíduo completo. As células-tronco embrionárias são totipotentes, ou seja, capazes de gerar qualquer tipo de tecido. Elas são oriundas de embriões na fase inicial de desenvolvimento, após cerca de quatro dias da fertilização do óvulo. O embrião nessa fase é denominado blastocisto e possui centenas de células-tronco na sua massa celular interna, que darão origem a todos os tecidos do organismo adulto. Com o domínio da cultura de células-tronco, o próximo passo foi descobrir como inativar ou modificar genes específicos nessas células. Esse feito foi conseguido com o uso da recombinação homóloga. A seleção das células-tronco embrionárias com genoma mutado é realizada, e finalmente as células modificadas são microinjetadas em embriões de camundongo. Assim, é possível inativar de maneira sistemática qualquer gene, desde que sua seqüência genômica seja conhecida.
Atualmente, essa técnica é rotineiramente aplicada em camundongos, uma das únicas espécies - além da humana - em que se domina totalmente o cultivo de células-tronco embrionárias. Para outras espécies, há dificuldade em manter indiferenciadas as células-tronco derivadas de embriões em cultura.
Aplicações na Medicina Uma aplicação fascinante da transgênese é a utilização de animais geneticamente modificados como modelos para o estudo das causas, da progressão, dos estágios e sintomas de doenças cardiovasculares, auto-imunes, neurológicas e outras. Por permitir uma análise detalhada da fisiopatologia de doenças, os estudos com transgênicos devem propiciar também o desenvolvimento de novas formas de tratamento, novos testes diagnósticos, agentes terapêuticos mais eficazes e baratos, e o tão esperado estabelecimento de protocolos de terapia gênica. Nesse sentido, utilizando a técnica de knockout, nosso grupo foi capaz de demonstrar, em 2000, a importância fisiopatológica do receptor B1 da cinina, proteína presente na membrana das células, que participa no processo de transmissão da dor e de inflamação. Através desse processo, recentemente descobrimos que essa proteína também pode ser uma importante arma no tratamento da obesidade e dos distúrbios metabólicos. |
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| João B. Pesquero, Heloisa A. Baptista, Fabiana L. T. Motta e Suzana M. de Oliveira são pesquisadores do Centro de Desenvolvimento de Modelos Experimentais em Medicina e Biologia (Cedeme) da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo. |
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