Reportagem
  
edição 56 - Janeiro 2007
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Aplicações dos animais transgênicos
O aperfeiçoamento genético de animais para fins científicos, médicos e econômicos ganhou enorme ímpeto com a técnica da transgênese. Produtos originários de organismos transgênicos tendem a se tornar cada vez mais difundidos
por João B. Pesquero, Heloisa A. Baptista, Fabiana L. T. Motta e Suzana M. de Oliveira
[continuação]

Outra instituição de ensino e pesquisa brasileira que tem se destacado no uso de animais para produção de proteínas humanas modificadas é a Universidade Estadual do Ceará, que visa produzir cabras transgênicas expressando no leite o fator de estimulação de colônias de granulócitos (G-CSF), uma proteína utilizada para estimular a produção de glóbulos brancos e recrutar células-tronco da medula óssea. A G-CSF é usada no tratamento de pacientes com sistema imunológico debilitado.


O Futuro da Transgênese
As alterações genéticas animais desenvolvidas ao longo das últimas três décadas provocaram uma grande revolução no campo da biologia, permitindo a análise de vários aspectos da função gênica in vivo. As pesquisas biomédicas baseadas nas alterações genéticas na modelos animais oferecem esperança para a cura das principais doenças que afligem a humanidade. O uso de animais transgênicos em pesquisas é um aspecto central na direção dessa concretização e, além disso, oferece a possibilidade de reduzir o número de animais nas experimentações.

Portanto, o uso apropriado dos modelos de animais transgênicos propicia as ferramentas necessárias para o desenvolvimento da ciência, com grande potencial para gerar benefícios altamente significativos nos campos médico, biotecnológico e comercial.

Entretanto, apesar de todas essas vantagens conferidas por essa técnica revolucionária, muitos ainda relutam em aceitá-la. Por exemplo, esse tipo de ciência é visto por alguns como uma interferência na ordem "natural" das coisas. Porém, transferências de genes entre espécies às vezes ocorrem na Natureza. Outros oponentes receiam que a proliferação dos organismos geneticamente modificados tenha conseqüêcias globais nefastas. No entanto, até o momento não existe qualquer indício que apóie esse temor. Como pesquisadores dessa intrigante área do conhecimento, e em consonância com a comunidade científica, acreditamos que o homem pode e deve extrair vantagens das novas tecnologias disponíveis, se as devidas precauções forem tomadas, de modo a melhorar a qualidade de vida das pessoas.
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João B. Pesquero, Heloisa A. Baptista, Fabiana L. T. Motta e Suzana M. de Oliveira são pesquisadores do Centro de Desenvolvimento de Modelos Experimentais em Medicina e Biologia (Cedeme) da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo.
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