Reportagem
  
edição 13 - Junho 2003
As controvérsias do Gingko biloba
Popular suplemento fitoterápico pode melhorar levemente a memória, mas o mesmo efeito também pode ser obtido com uma pitada de açúcar ou uma boa história.
por Paul E. Gold, Larry Cahill e Gary L. Wenk
A árvore do gingko (Gingko biloba) é, em vários aspectos, extraordinária. Apesar de nativa na Coréia, China e Japão, a árvore pode ser encontrada em parques e em alamedas de cidades por todo o mundo. Chega a crescer 40 metros e vive mais de mil anos. Fósseis de gingko foram datados de cerca de 250 milhões de anos, e Charles Darwin se referiu à árvore como um "fóssil vivo". Agora, a justificativa para a fama do gingko vem do extrato obtido de suas folhas em forma de leque.

A utilização de extratos da folha do gingko pode ser rastreada por séculos na medicina tradicional chinesa. O gingko biloba é hoje, provavelmente, a erva medicinal mais amplamente utilizada para aumentar as funções cognitivas - ou seja, melhorar a memória, aprendizado, vigilância, humor etc. Muito popular na Europa, seu extrato foi aprovado recentemente na Alemanha para o tratamento da demência.

Nos Estados Unidos, o National Institute on Aging está patrocinando um teste clínico para avaliar sua eficácia no tratamento da doença de Alzheimer. Mas existe de fato alguma evidência de que o gingko biloba pode realmente melhorar as funções cognitivas? As informações sobre a maioria dos suplementos dietéticos são baseadas mais no folclore que em resultados experimentais. Como o U.S. Food and Drug Administration (FDA) não controla os tratamentos fitoterápicos, não são exigidos testes de eficiência e segurança de produtos. É preciso, certamente, garantir uma atenção maior a suplementos como o gingko biloba. Mesmo se os produtos não causarem problemas de saúde, podem ser caros e desestimular pacientes a procurar tratamentos mais pragmáticos. Tentando preencher a lacuna em nosso conhecimento, revisamos as evidências experimentais a favor da e contra a utilidade do gingko biloba na intensificação das funções cerebrais.

Muitos Estudos, Poucas Respostas

A dose diária típica prescrita de gingko biloba usada na maioria das experiências descritas neste artigo é de 120 mg de extrato seco, dividida em duas ou três doses orais. O extrato contém muitos flavonóides, um grande grupo de produtos de plantas naturais caracterizados por uma estrutura química específica, contendo uma série de anéis de carbono. O extrato contém, ainda, alguns biflavonóides, grupo associado de componentes e dois tipos diferentes de terpenos, uma classe de químicos que inclui os ingredientes ativos da gatária (catnip) e marijuana.
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Paul E. Gold, Larry Cahill e Gary L. Wenk são os especialistas mais reputados em aumento das funções cerebrais. Gold é professor de psicologia e neurociência na University of Illinois, em Urbana-Champaign. Cahill é professor assistente de neurobiologia e comportamento e membro do Center for the Neurobiology of Learning and Memory da University of California, Irvine. Wenk é professor de psicologia e neurologia na University of Arizona.
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