Reportagem
  
edição 10 - Março 2003
Bombas inteligentes têm guia
Artefatos guiados por satélites do sistema GPS, aperfeiçoados durante a campanha no Afeganistão, serão amplamente utilizados em guerras futuras
por Michael Puttré
Uma equipe das forças especiais dos Estados Unidos e 1.000 combatentes afegãos anti-Taleban avançavam na escuridão no aeroporto de Kandahar em novembro de 2001, quando Tom Lawhead, um tenente-coronel da força aérea olhou para fora da cabine de seu caça-bombardeiro F-16. Mesmo usando óculos de visão noturna, o comandante do 389o esquadrão teve dificuldade para certificar- se de que as forças da coalizão, 4,6 mil metros abaixo, estavam fazendo progressos em direção ao seu objetivo. Para complicar as coisas, um dos líderes de vôo de Lawhead avistou um comboio se movendo por trás dos cumes de alguns morros próximos. Os afegãos anti-Taleban já tinham perdido contato por rádio com uma equipe enviada para fazer um reconhecimento avançado. Ninguém sabia se os veículos traziam os batedores de volta ou se eram de uma emboscada inimiga. A resposta veio em instantes. Assim que cruzaram os morros, os veículos do comboio apagaram
seus faróis e dispararam uma granada. Irrompeu um intenso tiroteio. Os membros do Taleban estavam contra-atacando.

"O controlador aéreo avançado das forças especiais ficou ocupado tentando descobrir onde terminavam os bandidos e onde começavam os mocinhos", recorda Lawhead. Menos de 300 metros separavam os oponentes.

Ficamos esperando, observando o tiroteio do alto. Finalmente, o controlador conseguiu nos transmitir as coordenadas do local para lançamento das primeiras bombas." O esquadrão aéreo arremeteu e fez disparos de precisão, interrompendo o ataque inimigo. "Se a emboscada tivesse êxito", explica o líder do esquadrão, "poderia ter frustrado nossos planos de nos apoderarmos do sul do Afeganistão".

Os caças eram capazes de atingir um alvo importante na escuridão, a apenas algumas centenas de metros de distância de forças amigas, por disporem de uma tecnologia de armamentos nova e extremamente precisa. Os aviões não carregavam bombas "burras", sem instrumentação; transportavam a última palavra em bombas "inteligentes" e de baixo custo.
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Michael Puttré é editor-chefe da The Journal of Electronic Defense (JED), revista mensal especializada em guerra eletrônica, comando e controle de batalha, reconhecimento e armamentos guiados com precisão. Puttré é militar e escreve sobre tecnologia há 15 anos.
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