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Reportagem |
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| edição 7 - Dezembro 2002 |
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| Calendários e o fluxo do tempo |
| Horas são definidas com o uso de relógios atômicos, de altíssima precisão, mas o calendário continua relacionado a fenômenos astronômicos, como a rotação da Terra e seu movimento em torno do Sol |
| por Oscar Matsuura |
[continuação]
Os dias da semana eram originalmente designados pelos sete planetas, nesta ordem: Sol, Lua, Marte, Mercúrio, Júpiter, Vênus e Saturno. A língua portuguesa foi uma das que mais se afastou das designações primitivas, e as línguas anglo-saxônicas introduziram designações nórdicas. Por fim, o dia do Sol foi cristianizado e denominado domingo, Dia do Senhor (Dominica dies). O dia de Saturno foi chamado sábado, numa referência ao sabá judaico em que Deus descansou ao completar a criação (Gênesis, II, 1-3). Mas, diversamente dos judeus, sabatistas e adventistas do sétimo dia, os católicos descansam no domingo porque Cristo ressuscitou num domingo.
Calendário gregoriano
O Concílio de Nicéia também estabeleceu as regras para definir a data da festa móvel da Páscoa. Várias outras celebrações atreladas à Páscoa também são móveis, como o Carnaval, a 4a. Feira de Cinzas, o Domingo de Ramos, a Sexta-Feira Santa, o Domingo de Pentecostes e Corpus Christi. Já no ano do Concílio, estando em vigor o calendário juliano, o início da primavera não ocorria em 25 de março, como pretendera Júlio César, mas no dia 21. A diferença era, portanto, de quatro dias. A Páscoa deveria ser celebrada no primeiro domingo depois da lua cheia que ocorre após ou no dia 21 de março, quando supostamente começaria a primavera no hemisfério norte.
O ano do calendário juliano era mais longo que o ano trópico 365,25 - 365,2422... = 0,0078... dia. O erro acumulado era 0,78 dia por século ou um dia cada 128 anos. Hoje podemos saber que o erro acumulado até o Concílio de Nicéia não podia ultrapassar três dias. Portanto Sosígenes teria cometido um erro adicional de um dia já na implantação da reforma. Mas, sem saber da verdadeira duração do ano trópico, os membros do Concílio atribuíram todo o erro de quatro dias a Sosígenes, e decidiram adotar 21 de março para o início da primavera, como se daí para a frente o calendário mantivesse essa data indefinidamente. Ledo engano. Um novo descompasso de mais de três dias, a partir do Concílio, já foi notada em 730 pelo beneditino inglês, o Venerável Beda. Embora a imprecisão do calendário fosse óbvia e o descontentamento justificado, ainda não se conhecia bem a duração do ano trópico para se promover uma boa reforma.
Beda foi o introdutor da sigla A.D. (anno Domini), mas a era cristã foi adotada pela Igreja em 532 por sugestão do monge Dionísio, o Pixote, e pela sociedade secular, pela primeira vez, na época carolíngea (século 9). Era é o instante igual a zero (não existe ano zero) escolhido para iniciar a contagem do tempo, por exemplo, a suposta data da criação do mundo segundo os judeus (3761 a.C.), a fundação de Roma (753 a.C.), o início das Olimpíadas gregas (776 a.C.), a Hégira (fuga de Maomé de Meca para Medina em 622). A era cristã é o nascimento de Cristo cuja data verdadeira seria pelo menos quatro anos anterior à proposta por Dionísio: 25 de dezembro do ano 753 da fundação de Roma. Além disso, os cronologistas retardaram sete dias o início da era cristã, para que coincidisse com o início do ano 754 da fundação de Roma. No fim das contas ficou consagrado que a era cristã é o instante que separa o fim do ano 753 da fundação de Roma (ou 1 a.C.), do início do ano 1 d.C.. |
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