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Reportagem |
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| edição 8 - Janeiro 2003 |
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| Caminhando para o desconhecido |
| A velocidade de retração da maciça capa de gelo da Antártica Ocidental irá influenciar a decisão da humanidade de afastar-se das regiões costeiras para fugir da elevação do nível dos oceanos. Os cientistas estão entrando em acordo sobre o que controla a extensão dessa capa e sua taxa de desintegração. |
| por Robert A. Bindschadler e Charles R. Bentley |
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| A desintegração do gelo ao longo das costas da Antártida é compensada pela queda de neve no interior do continente. Os cientistas fazem soar um alarme quando encontram evidências de que mais gelo está se perdendo que se acumulando. |
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Há doze mil anos, à medida que a Terra emergia da última era glacial, grandes frotas de icebergs, como gigantescos Titanics, invadiram o Atlântico Norte. Expelidos das enormes capas de gelo que afogavam metade da América do Norte e da Europa na época, icebergs deslocavam água suficiente para elevar o nível global em mais de um metro por ano, durante décadas.
Enquanto o norte gelado derretia, o gelo que cobria o continente mais austral do planeta permanecia essencialmente intacto, atualmente representando 90 % da água sólida da Terra. Mas dúzias de estudos científicos conduzidos nos últimos 30 anos têm advertido que o gelo que cobre o oeste da Antártida - a parte situada predominantemente no hemisfério ocidental - poderia repetir o ato dramático de seus primos setentrionais. Aprisionando mais de três milhões de quilômetros cúbicos de água doce, esta capa de gelo poderia elevar o nível global do oceano em cinco metros, caso se desintegrasse completamente, alagando inúmeras terras baixas costeiras e forçando muitos dos seus dois bilhões de habitantes a se retirarem.
A maioria dos cientistas antárticos, há muito tempo, concorda quanto à redução do gelo continental no passado, contribuindo para a elevação do nível do mar, que continuou mesmo depois que as capas de gelo do hemisfério norte desapareceram.
Também concordam que o gelo que cobre o lado leste do continente é notavelmente estável comparado ao da Antártida Ocidental, onde diferenças críticas do terreno subjacente tornam-no mais errático. |
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| Robert A. Bindschadler e Charles R. Bentley têm dedicado a maior parte de suas carreiras a investigar a capa de gelo da Antártida Ocidental e o continente sob ela. Em 23 anos no Goddard Space Flight Center, Bindschadler dirigiu 12 expedições às geladas terras austrais. Atualmente ele é pesquisador sênior em Goddard. Desenvolveu numerosas tecnologias de sensoriamento remoto para aplicação glaciológica ? mensuração de velocidade e altura do gelo, empregando imagens de satélite, e monitoramento da fusão da capa de gelo por emissões de microonda, para citar apenas duas. A primeira visita de Bentley à Antártida Ocidental durou 25 meses, durante os quais ele dirigiu diversas travessias exploratórias sobre a calota polar como parte da expedição do Ano Geofísico Internacional, em 1957-58. Retornou regularmente à Antartida Ocidental, como membro da Faculdade de Geofísica da University of Wisconsin. |
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