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Reportagem |
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| edição 84 - Maio 2009 |
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| Campos silenciosos |
| Um conjunto de fatos ainda não dimensionados, mas que deve incluir de ácaros a vírus, e pesticidas agrícolas, está diminuindo a sonoridade do vôo de abelhas e outros polinizadores, produzindo um efeito que os pesquisadores estão chamando de distúrbio do colapso de abelhas |
| por Diana Cox-Foster e Dennis VanEngelsdorp |
Dave Hackenberg ganha a vida transportando abelhas européias: ele coloca as colméias no caminhão e segue de campo em campo, polinizando culturas tão diversas quanto melões na Flórida, maçãs na Pensilvânia, mirtilos no Maine e amêndoas na Califórnia, movimentando-se ao longo da Costa Leste e, com freqüência, de costa a costa.
Repetindo a rotina dos últimos 42 anos, no outono de 2006, ele migrou com a família e as abelhas da casa de verão, no centro da Pensilvânia, para o abrigo de inverno na Flórida central. Os insetos haviam acabado de cumprir a obrigação, polinizando floradas de abóbora na Pensilvânia e agora pegariam o último fluxo de néctar dos picões pretos na Flórida. Segundo Hackenberg, quando ele verificou os polinizadores, a colméia “fervia” de insetos. Porém, ao retornar um mês depois, fi cou horrorizado. A maioria das colônias restantes sofreu perdas de inúmeras operárias. Restaram apenas as operárias jovens e a rainha, que pareciam saudáveis; mais da metade das 3 mil colméias estava completamente vazia, embora não houvesse abelhas mortas à vista. “Era como uma cidade fantasma”, contou Hackenberg quando nos telefonou buscando uma explicação para o desaparecimento misterioso.
Imediatamente, nós e outros pesquisadores organizamos uma equipe de trabalho interdisciplinar que, em dezembro de 2006, descobriu o fenômeno e mais tarde denominou-o distúrbio do colapso das colônias, ou CCD em inglês. Curiosamente, as colônias de Hackenberg pararam de morrer na primavera seguinte, mas na época apenas 800 dentre as originais 3 mil colônias sobreviveram. Conforme Hackenberg trocava informações com outros colegas de todo o país, ficou evidente que não estava sozinho. Uma pesquisa conduzida por nossa equipe, na primavera de 2007, revelou que um quarto dos apicultores americanos sofrera perdas semelhantes, e mais de 30% de todas as colônias foram perdidas. No inverno seguinte a mortandade recomeçou e se expandiu, chegando a 36% dos apicultores americanos. Relatos de grandes perdas também surgiram da Austrália, Brasil, Canadá, China, Europa e outras regiões. Não há dados recentes ainda, mas alguns apicultores relatam que houve colapso de colônias neste inverno também.
Essa perda de abelhas foi o sinal de alerta, pois um terço da produção agrícola mundial depende da abelha européia, a Apis mellifera – espécie adotada universalmente pelos apicultores de países ocidentais. As enormes fazendas de monocultura demandam intensa atividade polinizadora por curtos períodos do ano, papel que outros polinizadores, como abelhas silvestres e morcegos, não conseguem desempenhar. Apenas a A. mellifera organiza exércitos de polinizadores praticamente em qualquer época do ano, onde quer que o tempo seja ameno e haja flores a visitar. |
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| Diana Cox-Foster e Dennis VanEngelsdorp Diana Cox-Foster é professora de entomologia da Pennsylvania State University e co-diretora do grupo de trabalho sobre o distúrbio de colapso das colônias, composto de especialistas governamentais e acadêmicos. A pesquisa se concentra nas interações de patógenos hospedeiros. Cox atribui sua afinidade com as abelhas à sua bisavó, que foi apicultora comercial no Colorado, no início do século 20. A paixão de Dennis VanEngelsdorp pelas abelhas começou em um curso de graduação na University of Guelph, em Ontário, que o levou a vários projetos na região do Caribe e às funções acumuladas de apicultor na Pensilvânia e professor associado do departamento de entomologia da Pennsylvania State University. |
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