Reportagem
  
edição 84 - Maio 2009
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Campos silenciosos
Um conjunto de fatos ainda não dimensionados, mas que deve incluir de ácaros a vírus, e pesticidas agrícolas, está diminuindo a sonoridade do vôo de abelhas e outros polinizadores, produzindo um efeito que os pesquisadores estão chamando de distúrbio do colapso de abelhas
por Diana Cox-Foster e Dennis VanEngelsdorp
DAVID YELLEN
DAVE HACKENBERG foi o primeiro apicultor a alertar os entomologistas americanos sobre o desaparecimento súbito e inexplicável de operárias, indicador do que hoje é conhecido como o distúrbio do colapso das colônias, no outono de 2006. Até o fim do inverno, mais de 60% das suas três mil colônias estavam dizimadas; nos Estados Unidos a perda foi de 30%.
[continuação]

Nosso grupo eliminou várias causas prováveis para o CCD e encontrou diversos fatores que poderiam contribuir; mas nenhum responsável único foi identificado. As abelhas com CCD tendem a ser infestadas por patógenos múltiplos, incluindo um vírus recém-descoberto, mas essas infecções parecem secundárias ou oportunistas – da mesma forma que a pneumonia mata um paciente aidético. O quadro que surge agora apresenta uma condição complexa, que pode ser desencadeada por diversas combinações de fatores. O combate ao CCD pode não ser fácil; talvez seja preciso um maior cuidado com o meio ambiente e mudanças a longo prazo nas práticas agrícolas e apicultoras.

Mesmo antes do distúrbio do colapso das colônias, as abelhas sofreram vários males que reduziram sua população. A quantidade de colônias de melíferas em 2006 era menor que a metade existente em 1949. No entanto, os apicultores não se lembram de ter visto perdas tão sérias quanto as ocorridas nos invernos de 2007 e 2008. Embora provavelmente o CCD não provoque a extinção das abelhas, poderá levar muitos apicultores a desistir de seus negócios. Se devido a isso, a técnica e o conhecimento dos apicultores diminuir muito, mesmo quando o CCD for finalmente superado, cerca de 100 culturas podem ficar sem polinizadores – e a produção em larga escala de certas culturas poderá se tornar inviável. Ainda teríamos milho, trigo, batatas e arroz, mas muitas frutas e legumes que consumimos rotineiramente – como maçãs, mirtilos, brócolis e amêndoas – poderão se tornar alimentos de privilegiados.

Florescimento Silencioso
Quando Hackenberg inicialmente nos contou sobre as abelhas desaparecidas, nosso primeiro pensamento se voltou para os ácaros varroa. Esses parasitas agressivos são responsáveis pela queda de 45% do número de colônias de abelhas cultivadas entre 1987 (quando foram introduzidos nos Estados Unidos) e 2006. As fêmeas adultas de varroa se alimentam da hemolinfa, o sangue das abelhas. Os ácaros também são portadores de viroses e inibem a resposta imunológica dos hospedeiros. Hackenberg, como tantos apicultores especializados, já tinha vasta experiência no combate aos ácaros e tinha certeza de que os sintomas dessa vez eram diferentes.

Um de nós (vanEngelsdorp) fez autópsia nos insetos remanescentes de Hackenberg e encontrou sintomas nunca observados anteriormente, como o tecido cicatricial em órgãos internos. Os testes iniciais também detectaram alguns dos costumeiros suspeitos de doença nas abelhas. No conteúdo estomacal foram encontrados esporos de nosema, parasitas fúngicos unicelulares, que provocam disenteria nas abelhas. No entanto, a contagem de esporos nessas e outras amostras posteriores de melíferas não foram tão altas para explicar as perdas. A análise molecular das abelhas de Hackenberg, feita por outro membro do grupo (Cox-Foster) também demonstrou níveis surpreendentes de infecções virais de vários tipos conhecidos. Mas não se encontrou nenhum patógeno nos insetos que pudesse explicar a escala do desaparecimento.
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Diana Cox-Foster e Dennis VanEngelsdorp Diana Cox-Foster é professora de entomologia da Pennsylvania State University e co-diretora do grupo de trabalho sobre o distúrbio de colapso das colônias, composto de especialistas governamentais e acadêmicos. A pesquisa se concentra nas interações de patógenos hospedeiros. Cox atribui sua afinidade com as abelhas à sua bisavó, que foi apicultora comercial no Colorado, no início do século 20. A paixão de Dennis VanEngelsdorp pelas abelhas começou em um curso de graduação na University of Guelph, em Ontário, que o levou a vários projetos na região do Caribe e às funções acumuladas de apicultor na Pensilvânia e professor associado do departamento de entomologia da Pennsylvania State University.
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