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Reportagem |
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| edição 84 - Maio 2009 |
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| Campos silenciosos |
| Um conjunto de fatos ainda não dimensionados, mas que deve incluir de ácaros a vírus, e pesticidas agrícolas, está diminuindo a sonoridade do vôo de abelhas e outros polinizadores, produzindo um efeito que os pesquisadores estão chamando de distúrbio do colapso de abelhas |
| por Diana Cox-Foster e Dennis VanEngelsdorp |
[continuação]
Uma outra teoria popular, muito mais aceitável, culpa os venenos sintéticos. Os dois suspeitos principais são os acaricídeos – substâncias que os apicultores usam para manter os ácaros sob controle – e os pesticidas, tanto do meio ambiente quanto dos campos de cultura polinizados pelas abelhas. Até 2006, novos tipos de pesticidas substituíram as variedades tradicionais. Um tipo em especial, os neonicotinói des, foram responsabilizados por apicultores franceses e de outros locais, por prejudicar os insetos polinizadores. Essa classe de inseticidas imita os efeitos da nicotina, uma defesa natural que as plantas do tabaco lançam contra as pestes devoradoras de folhas, sendo mais tóxica a insetos que a vertebrados. Mas os neonicotinóides também entram no pólen e no néctar das plantas, não apenas nas folhas, e assim potencialmente podem afetar os polinizadores. As pesquisas iniciais indicam que os neonicotinóides diminuem a capacidade de as abelhas melíferas lembrarem como voltar à colméia, sinal de que podem contribuir para o CCD.
Nós e outros especialistas também suspeitamos que a defesa natural das abelhas pode estar enfraquecida por má nutrição. As abelhas, assim como os polinizadores selvagens, não têm mais o mesmo número ou variedade de flores disponíveis porque nós, humanos, tentamos “arrumar” nosso ambiente. Por exemplo, plantamos uma grande extensão de culturas sem deixar áreas com fl ores, mato ou cerca viva. Mantemos enormes gramados sem ervas como o trevo ou o dente-de leão. Mesmo as beiras de estradas e parques refletem o nosso desejo de manter as coisas arrumadas, sem mato. Mas para as abelhas e outros polinizadores, os gramados extensos são como desertos. A alimentação das abelhas que polinizam grandes áreas de uma cultura pode carecer de nutrientes importantes, comparados aos polinizadores que se alimentam de fontes variadas, como seria típico em um ambiente natural. Os apicultores vêm tentando administrar essa preocupação desenvolvendo suplementos de proteínas para a alimentação das colônias – embora os suplementos em si não tenham evitado o CCD.
Esforço Conjunto Nossa força-tarefa centrou a investigação nessas duas vastas áreas – pesticidas e nutrição – além de outras possibilidades óbvias, de um patógeno novo ou recém-modificado ter provocado o CCD. Os testes sobre as três hipóteses dependiam da coleta de amostras – muitas amostras. Nós nos juntamos a Jeff Pettis, do laboratório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, em Beltsville, Maryland, para conduzir essa tarefa que envolvia longos dias, muitos quilômetros na estrada e o desafio de coletar material suficiente para distribuir para toda a equipe. Sem abelhas mortas para estudar, decidimos coletar abelhas vivas de apiários que sofreram a infestação, baseados na premissa de que as sobreviventes poderiam portar a doença em estágio inicial. As abelhas foram coletadas em álcool para contagem de varroa e nosema. Os insetos, o pólen e a cera da colméia foram colocados em gelo seco e rapidamente enviados para os laboratórios na Pensilvânia e Maryland, sendo mantidos em refrigeradores e preservados para as análises químicas e moleculares.
Algumas amostras foram enviadas ao nosso colega David Tarpy, da North Carolina State University, que mediu o conteúdo protéico. Tarpy não encontrou diferença significativa entre os apiários que tinham CCD e outros aparentemente saudáveis. Seus resultados sugerem que o estado nutricional, em si, não explicava o CCD. |
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| Diana Cox-Foster e Dennis VanEngelsdorp Diana Cox-Foster é professora de entomologia da Pennsylvania State University e co-diretora do grupo de trabalho sobre o distúrbio de colapso das colônias, composto de especialistas governamentais e acadêmicos. A pesquisa se concentra nas interações de patógenos hospedeiros. Cox atribui sua afinidade com as abelhas à sua bisavó, que foi apicultora comercial no Colorado, no início do século 20. A paixão de Dennis VanEngelsdorp pelas abelhas começou em um curso de graduação na University of Guelph, em Ontário, que o levou a vários projetos na região do Caribe e às funções acumuladas de apicultor na Pensilvânia e professor associado do departamento de entomologia da Pennsylvania State University. |
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