Reportagem
  
edição 84 - Maio 2009
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Campos silenciosos
Um conjunto de fatos ainda não dimensionados, mas que deve incluir de ácaros a vírus, e pesticidas agrícolas, está diminuindo a sonoridade do vôo de abelhas e outros polinizadores, produzindo um efeito que os pesquisadores estão chamando de distúrbio do colapso de abelhas
por Diana Cox-Foster e Dennis VanEngelsdorp
[continuação]

Muito mais surpreendente foi o resultado da pesquisa de nossa equipe sobre os pesticidas, para os quais convocamos a ajuda dos pesquisadores da Pennsylvania State University, Maryann Frazier, Jim Frazier e Chris Mullin e de Roger Simonds, químico do laboratório do USDA em Gastonia, Carolina do Norte. (Por coincidência, Simonds é apicultor.) Sua análise de amplo espectro, sensível a inseticidas, herbicidas e fungicidas, revelou mais de 170 substâncias diferentes. A maior parte das amostras armazenadas de pólen continha cinco ou mais tipos diferentes de compostos e algumas chegavam a ter 35. Embora tanto o nível quanto a diversidade de substâncias encontradas seja preocupante, nenhuma indicava estar por trás do CCD; às vezes, colônias saudáveis tinham níveis mais altos de algumas substâncias que as colônias afetadas.

Não foram detectados neonicotinóides nas amostras originais, mas esses e outros pesticidas ainda não podem ser descartados. As colméias são dinâmicas e a nossa amostragem inicial não foi. É possível, se não provável, que as abelhas atingidas pelo CCD tinham sido prejudicadas por substâncias químicas ou por uma mescla de substâncias que não ficaram evidentes à época da coleta de amostras.

Nossas tentativas de identificar uma nova doença infecciosa – ou nova linhagem de uma antiga –, que poderia estar na raiz do CCD, inicialmente pareciam não levar a lugar nenhum. Nenhuma das doenças de abelhas conhecidas, bacterianas, fúngicas ou virais, poderia ser responsabilizada pelas perdas provocadas pelo CCD; assim, não tínhamos idéia do que deveríamos buscar.

Então, Cox-Foster, junto com o grupo de Ian Lipkin, da Columbia University (com a ajuda da empresa de biotecnologia 454 Life Sciences, em Branford, Connecticut), recorreu a um método sofisticado de detecção de microorganismos denominado metagenômica. Por essa técnica, os ácidos nucléicos (DNA e RNA) são coletados de um ambiente com vários organismos diferentes. O material genético é misturado e, em seguida, separado em partes pequenas o bastante para que as suas seqüências de código “de letras” possam ser decifradas. No seqüenciamento de genes convencional os pesquisadores usariam um software para reunir as partes novamente e reconstituir o genoma original do organismo. Mas na metagenômica os genes pertencem a organismos diferentes, assim o seqüenciamento produz um instantâneo de seqüências de vários organismos, até mesmo microscópicos, dentro de um ecossistema. A metagenômica vem sendo usada na pesquisa de ambientes como a água do mar e o solo, revelando uma surpreendente diversidade de microorganismos. Mas também pode ser aplicada para detectar microorganismos abrigados por organismos maiores, vivendo em colaboração (em simbiose), ou como infecção.
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Diana Cox-Foster e Dennis VanEngelsdorp Diana Cox-Foster é professora de entomologia da Pennsylvania State University e co-diretora do grupo de trabalho sobre o distúrbio de colapso das colônias, composto de especialistas governamentais e acadêmicos. A pesquisa se concentra nas interações de patógenos hospedeiros. Cox atribui sua afinidade com as abelhas à sua bisavó, que foi apicultora comercial no Colorado, no início do século 20. A paixão de Dennis VanEngelsdorp pelas abelhas começou em um curso de graduação na University of Guelph, em Ontário, que o levou a vários projetos na região do Caribe e às funções acumuladas de apicultor na Pensilvânia e professor associado do departamento de entomologia da Pennsylvania State University.
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