Reportagem
  
edição 84 - Maio 2009
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Campos silenciosos
Um conjunto de fatos ainda não dimensionados, mas que deve incluir de ácaros a vírus, e pesticidas agrícolas, está diminuindo a sonoridade do vôo de abelhas e outros polinizadores, produzindo um efeito que os pesquisadores estão chamando de distúrbio do colapso de abelhas
por Diana Cox-Foster e Dennis VanEngelsdorp
[continuação]

Naturalmente, a maioria das seqüências genéticas das nossas amostras é das próprias abelhas. Mas essas foram facilmente filtradas porque, felizmente, o genoma da abelha melífera acabou de ser seqüenciado. As seqüências que não se referiam às abelhas foram comparadas a seqüências genéticas pertencentes a outros organismos conhecidos. Pesquisadores especializados em análise molecular de organismos – incluindo de bactérias, fungos, parasitas e vírus – se juntaram à nossa equipe para identificar possíveis responsáveis.

O estilo de investigação usado, de pesquisa forense, expandiu muito o nosso conhecimento geral sobre as abelhas. Inicialmente, mostrou que todas as amostras (CCD e saudáveis) tinham oito bactérias diferentes que haviam sido descritas em dois estudos anteriores de outras partes do mundo. Essas descobertas sugerem que as bactérias podem ser simbiontes, talvez desempenhando um papel essencial na biologia da abelha no auxílio à digestão, por exemplo. Também encontramos duas espécies de nosemas, dois outros fungos e vários vírus de abelha.

Mas um vírus destacou-se, pois nunca fora identificado antes nos Estados Unidos: o vírus de paralisia aguda israelense, ou IAPV, descrito pela primeira vez em 2004 por Ilan Sela, da Universidade Hebraica de Jerusalém, durante um estudo para descobrir porque as abelhas morriam com convulsões paralisantes. Na nossa amostragem inicial, o IAPV foi detectado em quase todas – embora não em todas – as colônias com sintomas de CCD e apenas em uma delas, que não sofria de CCD. Mas essa forte correlação não é prova de que o IAPV provocou a doença. Por exemplo, o CCD pode ter deixado as abelhas excepcionalmente vulneráveis à infecção de IAPV.

Caso Encerrado?
Sabemos que existem pelo menos três linhagens diferentes do IAPV, e que duas infectaram as abelhas nos Estados Unidos. Uma das linhagens, provavelmente, veio da Austrália em 2005, depois que o governo no americano revogou a proibição de importação de melíferas, existente desde 1922. (A indústria de amêndoas fez lobby para a suspensão do banimento, a fim de evitar a séria falta de polinizadores na época da florada.) A outra linhagem provavelmente apareceu antes e é bem diferente. Sua origem é desconhecida, mas pode ter sido introduzida pela importação de geléia real (nutriente secretado pelas abelhas para alimentar as larvas) ou um suplemento de pólen, ou ainda pode ter entrado indiretamente no país em pesticidas para abelhas recém introduzidos no país. Os dados também sugerem que o IAPV existe em abelhas de outras partes do mundo, desenvolvendo-se em várias linhagens diferentes e, possivelmente, em constante mutação.
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Diana Cox-Foster e Dennis VanEngelsdorp Diana Cox-Foster é professora de entomologia da Pennsylvania State University e co-diretora do grupo de trabalho sobre o distúrbio de colapso das colônias, composto de especialistas governamentais e acadêmicos. A pesquisa se concentra nas interações de patógenos hospedeiros. Cox atribui sua afinidade com as abelhas à sua bisavó, que foi apicultora comercial no Colorado, no início do século 20. A paixão de Dennis VanEngelsdorp pelas abelhas começou em um curso de graduação na University of Guelph, em Ontário, que o levou a vários projetos na região do Caribe e às funções acumuladas de apicultor na Pensilvânia e professor associado do departamento de entomologia da Pennsylvania State University.
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