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Reportagem |
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| edição 84 - Maio 2009 |
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| Campos silenciosos |
| Um conjunto de fatos ainda não dimensionados, mas que deve incluir de ácaros a vírus, e pesticidas agrícolas, está diminuindo a sonoridade do vôo de abelhas e outros polinizadores, produzindo um efeito que os pesquisadores estão chamando de distúrbio do colapso de abelhas |
| por Diana Cox-Foster e Dennis VanEngelsdorp |
[continuação]
Em um esforço para resolver a questão do papel do IAPV, Cox-Foster fez experiências com abelhas saudáveis que foram previamente expostas ao vírus. Sua equipe colocou colméias repletas de abelhas em estufas e alimentou os insetos com água adocicada contendo IAPV. Com certeza, a infecção pareceu demonstrar alguns sintomas de CCD. Depois de uma ou duas semanas de exposição, as abelhas começaram a morrer. As abelhas não morriam perto das colméias, como se esperaria no caso de CCD. Assim, essas descobertas parecem apoiar a hipótese de que o IAPV pode provocar o CCD, ou pelo menos contribuir para o problema.
O empenho dos vários grupos para obter amostragens adicionais demonstrou, no entanto, que o IAPV já se espalhara muito nos Estados Unidos, e que nem todas as colônias infestadas tinham sintomas de CCD, implicando que nem o IAPV sozinho pode provocar a doença ou que algumas abelhas são resistentes ao IAPV. Em especial, um estudo iniciado em 2007 com o USDA, encontrou colônias de três apicultores migratórios e observou colônias infectadas com o IAPV sem o distúrbio.
O consenso crescente entre os pesquisadores é que fatores múltiplos – como a má nutrição e a exposição a pesticidas – podem interagir, enfraquecendo as colônias e deixando-as mais suscetíveis a um colapso provocado por vírus. No caso de nossas experiências nas estufas, o estresse de estarem confinadas em espaços relativamente pequenos pode ter sido suficiente para as colônias sucumbirem ao IAPV e morrerem com sintomas semelhantes ao CCD. Resultados mais recentes de monitoramento a longo prazo, identificaram outros fatores inesperados para a grande perda de colônias, incluindo o fungicida clorotalonil. Agora a pesquisa se centrada em como esses fatores se relacionam com o colapso de colônias.
Seria um alívio haver uma vacina ou tratamento para os vírus das abelhas, e do IAPV em particular. Infelizmente, as vacinas não funcionam nas abelhas, porque o sistema imunológico dos invertebrados não gera o tipo de proteção contra agentes específicos que as vacinas induzem em humanos e outros mamíferos. Os pesquisadores também estão começando a buscar outras abordagens, como a baseada na nova técnica de interferência no RNA, que impede o vírus de se reproduzir no interior de células da abelha. Uma solução a longo prazo seria identificar e criar abelhas resistentes ao vírus. Porém, essa tarefa pode levar anos, talvez tempo demais para evitar a saída de muitos apicultores dessa atividade.
Enquanto isso, muitos apicultores tiveram sucesso parcial em evitar a perda de colônias, redobrando o esforço na melhora da alimentação, mantendo as infecções e parasitas como a varroa e a nosema sob controle, e praticando a boa higiene. Em especial, a pesquisa demonstrou que a esterilização com raios gama, antes da reutilização de estruturas antigas para colméias, reduz o risco de colapso de colônias.
O homem precisa agir rapidamente para garantir que o antigo pacto entre flores e polinizadores permaneça intacto, salvaguardando nosso suprimento de alimento e protegendo o meio ambiente para as gerações futuras. Esse empenho permitirá que as abelhas continuem a polinizar e que a nossa alimentação continue rica em frutas e legumes – que agora parecem ser fáceis de obter. |
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| Diana Cox-Foster e Dennis VanEngelsdorp Diana Cox-Foster é professora de entomologia da Pennsylvania State University e co-diretora do grupo de trabalho sobre o distúrbio de colapso das colônias, composto de especialistas governamentais e acadêmicos. A pesquisa se concentra nas interações de patógenos hospedeiros. Cox atribui sua afinidade com as abelhas à sua bisavó, que foi apicultora comercial no Colorado, no início do século 20. A paixão de Dennis VanEngelsdorp pelas abelhas começou em um curso de graduação na University of Guelph, em Ontário, que o levou a vários projetos na região do Caribe e às funções acumuladas de apicultor na Pensilvânia e professor associado do departamento de entomologia da Pennsylvania State University. |
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