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Reportagem |
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| edição 71 - Abril 2008 |
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| Casamento entre humanos e robôs? Uma entrevista com David Levy |
| O amor e o casamento com robôs seria uma instituição menos importante? Não para o pioneiro da computação David Levy. Os avanços contínuos na computação e na robótica, segundo ele, tornarão possível o casamento legal entre Homo e Robo até metade deste século |
| por Charles Q. Choi |
No ano passado, David Levy publicou o livro Love and Sex with Robots, após anos de pesquisa sobre interações entre humanos e computadores. Sua idéia básica é que, para humanos que não conseguem estabelecer conexões emocionais e sexuais com outras pessoas, talvez haja a possibilidade de estabelecer essa ligação com robôs. O tópico deixa margem ao rídiculo: no programa de entrevistas americano The Colbert Report, o apresentador Stephen Colbert perguntou a Levy, "E quanto a essas pessoas que não conseguem estabelecer relações com outros seres humanos... por acaso são as mesmas pessoas que escrevem sobre amor e sexo com robôs?” Brincadeiras à parte, Levy, com 62 anos de idade, foi bem sério ao explicar suas idéias a Charles Q. Choi, nosso colaborador, no artigo “Hoje não, querida, preciso reiniciar”, publicado na seção Perfil da edição de abril de Scientific American Brasil. A seguir, a entrevista completa.
Como você passou a se interessar pela inteligência artificial (IA)? Tudo aconteceu quase que por acidente. Aprendi a jogar xadrez aos oito anos de idade – foi minha grande paixão no colegial e na universidade. No meu último ano de universidade, conheci um negócio chamado computador. Havia ouvido falar dele, mas não sabia nada a respeito. Na época, eram incrivelmente primitivos – não usavam transistores, mas válvulas. Passei a me interessar pela programação de computadores depois de programar jogos. Em seguida, fiquei sabendo de algo chamado IA e que algumas pessoas em Edimburgo estavam trabalhando com isso, como Donald Michie, chefe do departamento de inteligência artificial da University of Edinburgh, que trabalhou com Alan Turing decifrando códigos alemães. Donald Michie foi um cara incrível que morreu recentemente em um acidente de carro. Foi o pai fundador da IA no Reino Unido e quem apresentou o tema para mim e para outras pessoas.
Então seu interesse por programas de xadrez o levou para os computadores e, finalmente, para a inteligência artificial? Na época, as pessoas faziam programas de xadrez para simular os processos do pensamento humano. Acontece que essa abordagem não funcionava, pois os programas de xadrez usavam técnicas completamente diferentes, que nada tinham de parecido com os processos humanos. Mas eu ainda estava interessado em simular o raciocínio, as emoções e a personalidade dos humanos. Pensei, “Não seria interessante se houvesse pessoas artificiais com quem pudéssemos conversar?” Isso me fez pensar ainda mais sobre as maneiras como os humanos interagem com computadores – não só digitando em um teclado, mas também de forma mais humana. Financiei um projeto por três anos que venceu o Prêmio Loebner em 1997, um campeonato mundial para programas de computador de conversa que é decidido por uma conversação parecida com o teste de Turing. |
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