Reportagem
  
edição 26 - Julho 2004
Células-Tronco
Obstáculos no caminho que leva da promessa terapêutica aos tratamentos reais em seres humanos
por Robert Lanza e Nadia Rosenthal
Embrião humano na fase de blastocisto, do qual se extraem as células-tronco embrionárias
Como acontece com frequência em ciência, a pesquisa com células-tronco gerou tantas perguntas novas quanto as que respondeu, mas o campo vem avançando. Testes preliminares com células-tronco humanas adultas no tratamento de doenças cardiovasculares estão produzindo resultados encorajadores e certamente conduzirão a testes mais abrangentes. Testes terapêuticos de derivadas de células TE humanas em doenças neurodegenerativas provavelmente são iminentes.

As células-tronco trazem a possibilidade de regenerar partes debilitadas do corpo e de curar doenças que ainda desafiam os tratamentos com drogas. Os pacientes se enchem de esperança com os relatos das propriedades quase miraculosas dessas células, mas muitos dos estudos científicos mais comemorados foram refutados posteriormente, e outros dados foram distorcidos em debates não sobre a técnica, mas sobre a moralidade de retirar essas células de embriões humanos.

Alegações provocativas e conflitantes deixam o público (e a maioria dos cientistas) confusos quanto à viabilidade de tratamentos com células-tronco. Caso as restrições legais e de financiamento nos EUA e em outros países fossem removidas de imediato, os médicos seriam capazes de começar tratamentos com células-tronco no dia seguinte? Provavelmente não. Muitos obstáculos técnicos precisam ser superados e muitas questões sem resposta precisam ser solucionadas antes de podermos utilizar as células-tronco com segurança.

Por exemplo, a simples identificação de uma célula-tronco verdadeira pode ser complicada. Precisamos primeiro saber se as células em estudo realmente possuem a capacidade de atuar como a fonte, ou como o "tronco", para outros tipos de célula, enquanto permanecem em estado genérico. Mas, mesmo com exames minuciosos e exaustivos, não é possível distingui-las por sua aparência. É seu comportamento que as define.
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