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Reportagem |
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| edição 48 - Maio 2006 |
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| Combate ao RotaVírus |
| Depois de 30 anos de pesquisa, começam a surgir vacinas para barrar o maior causador de diarréia infantil aguda em todo o mundo, potencialmente letal em países em desenvolvimento |
| por Roger I. Glass |
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Geoff Ward |
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| Bebê doente pela diarréia aguda causada pelo rotavírus recebe tratamento de reidratação. Nos países pobres, muitas crianças têm acesso limitado a tratamento médico e sucumbem ao vírus |
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Quando se pensa num vírus muito devastador, os exemplos mais imediatamente lembrados são de pacientes sofrendo com o ebola, o hantavírus ou ainda a Sars. Porém, esses vilões causaram muito menos mortes que o rotavírus, que infecta praticamente todas as crianças nos primeiros anos de vida. Ele provoca vômito seguido de uma diarréia às vezes tão aguda que, se não houver tratamento, pode levar à desidratação, seguida de choque e morte. No mundo, o rotavírus mata aproximadamente 610 mil crianças por ano - cerca de 5% de todas as mortes entre menores de 5 anos.
Agora, a ciência está próxima de desarmar esse assassino. Em janeiro - três décadas depois de o patógeno ser identificado - pesquisadores anunciaram que duas vacinas contra o rotavírus se mostraram eficazes em amplos testes clínicos. O processo de desenvolvimento das vacinas foi mais difícil e complicado do que se imaginou inicialmente. Mas, tanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) quanto a Aliança Global por Vacinas e Imunização hoje consideram a vacinação contra o rotavírus altamente prioritária, e os esforços para imunizar crianças já tiveram início, inclusive no Brasil, onde se espera redução de pelo menos 34% no número de mortes de crianças com menos de 5 anos provocadas por diarréia. O Ministério da Saúde estima que hoje cerca de 2.500 crianças nessa faixa etária morrem desse mal.
O rotavírus foi identificado pela primeira vez em 1973 por Ruth Bishop, bióloga que estudava doenças gastrointestinais no Hospital Real de Crianças, em Melbourne, Austrália. Naquela época, a diarréia infantil causava perplexidade. Apesar de a doença ser comum e freqüentemente aguda, seu agente causador raramente era identificado. O grupo de Bishop analisou biópsias de tecido do duodeno ou intestino delgado de crianças com diarréia aguda em microscópio eletrônico e encontrou uma infestação de vírus com formato circular nas células epiteliais da parede do intestino.
Meu envolvimento com o rotavírus começou em 1979, quando me mudei para Bangladesh para trabalhar no Centro Internacional de Pesquisa de Doenças Diarréicas. O hospital central em Dacca admitia tantos pacientes com "gripe intestinal" que alguns tinham de permanecer nos corredores ou em tendas do lado de fora. Acreditando que a causa da diarréia fosse bacteriana, ficamos surpresos ao descobrir que muitas das crianças não estavam com cólera, salmonela, shigella ou Escherichia coli, mas com rotavírus, sobre o qual sabíamos pouco. Com a ajuda de um teste simples, determinamos que o vírus era responsável por 25% a 40% de todas as internações de crianças com menos de 5 anos admitidas com diarréia. |
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| Roger I. Glass chefia a Seção de Gastroenterites Virais do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA. Ele é professor adjunto de pediatria e saúde internacional da Universidade Emory. Epidemiologista conceituado, sua pesquisa enfatiza o papel das vacinas na prevenção de doenças. Ele é consultor da OMS, da Aliança Global por Vacinas e Imunização e do Programa em Prol de Tecnologias de Saúde Apropriadas. Em 1998, recebeu o prêmio Pasteur da organização Iniciativa para Vacinação Infantil por seu trabalho com a vacina do rotavírus. |
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