Reportagem
  
edição 66 - Novembro 2007
Como a Consciência se Manifesta?
Dois importantes neurocientistas, Christof Koch e Susan Greenfield, discordam em relação à atividade que ocorre no cérebro durante a experiência subjetiva
por Christof Koch e Susan Greenfield
BRIAN CRONIN
A maneira como processos cerebrais se traduzem em consciência é um dos maiores desafios a ser resolvido pela ciência. Embora o método científico tenha conseguido delinear eventos que ocorreram imediatamente após o Big Bang e descobrir o maquinário bioquímico do cérebro, falha em explicar como a experiência subjetiva é criada.

Como neurocientistas, ambos fizemos da resolução desse enigma a meta de nossa vida. Compartilhamos muitos pontos de vista, incluindo o importante reconhecimento de que não existe um único problema da consciência. Vários fenômenos devem ser explicados – particularmente a autoconsciência (a capacidade de examinar os próprios desejos e pensamentos), o conteúdo da consciência (de que realmente se está consciente a qualquer momento) e como processos cerebrais se relacionam à consciência ou à não-consciência.

Então, por onde começa a solução? Os neurocientistas ainda não compreendem o suficiente sobre o funcionamento interno do cérebro para dizer exatamente como a consciência emerge da atividade química e elétrica dos neurônios. Assim, o primeiro passo é determinar os melhores correlatos neuronais da consciência (CNC) – a atividade cerebral que corresponde a experiências conscientes específicas. Quando você se dá conta de que está vendo um cachorro, o que aconteceu com quais neurônios do seu cérebro? Quando um sentimento de tristeza se apossa de você, o que aconteceu em seu cérebro? Estamos ambos tentando encontrar a contrapartida correlata de cada experiência consciente que uma pessoa possa ter. E é aí que discordamos.
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Christof Koch e Susan Greenfield Ele é professor de biologia cognitiva e comportamental do California Institute of Technology, onde ensina e faz pesquisas sobre a base neuronal da atenção visual e consciência há mais de duas décadas. SUA TEORIA: Para cada experiência consciente, um grupo único de neurônios em regiões particulares do cérebro dispara de maneira específica. Ela é professora de farmacologia da University of Oxford, diretora da Royal Institution of Great Britain e membro do British Parliament’s House of Lords. O foco de sua pesquisa está em novos mecanismos cerebrais, incluindo os que estão por trás de doenças neurodegenerativas. SUA TEORIA: Para cada experiência consciente, neurônios se sincronizam em associações coordenadas e depois se desassociam.
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