Reportagem
  
edição 36 - Maio 2005
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Como os animais fazem negócios
Humanos e outros animais compartilham uma herança de tendências econômicas, incluindo cooperação, retribuição de favores e ressentimento com comportamentos desonestos.
por Frans B. M. de Waal
[continuação]

Na nossa espécie, esse processo de avivamento é conhecido como "gratidão", e não há razão para usar outro nome entre os chimpanzés. Se eles sentem algum tipo de obrigação ainda não está claro, mas é interessante notar que a tendência em retribuir o favor não é a mesma para todas as relações. Entre os indivíduos que se associam e praticam catação mútua, uma simples sessão de limpeza tem pouco peso. Todas as trocas diárias ocorrem entre eles, provavelmente sem nenhuma vigilância.

Eles parecem seguir o sistema de ajuda mútua discutido anteriormente. Apenas num relacionamento mais distante a catação se destaca. Como Socko e May não são amigos próximos, o "cafuné" foi devidamente percebido.

Uma distinção similar aparece no comportamento humano: somos mais inclinados a ficar de olho nas ações de dar e receber que ocorrem com estranhos do que com amigos e parentes. Quando isso ocorre nas relações próximas, é sinal certo de desconfiança.

Mercados Biológicos
Visto que a reciprocidade requer parceiros, a escolha deles é fundamental na economia comportamental. As transações imobiliárias que ocorrem entre os caranguejos eremitas são excessivamente simples comparadas com as interações entre primatas, que envolvem muitos parceiros trocando múltiplas moedas, como catação, sexo, apoio em lutas, alimentação, serviço de pajem e assim por diante. Esse "mercado de serviços", como apelidei no livro Chimpanzee Politics, significa que cada indivíduo precisa ter boas relações com os indivíduos mais destacados, para estimular parcerias de catação e - se forem ambiciosos - fazer acordos com outros do mesmo nível. Os machos formam coalizões para desafiar o soberano reinante. Após a subversão, o novo soberano precisa manter seus ajudantes satisfeitos: um macho alfa que tenta monopolizar os privilégios do poder, tal como o acesso às fêmeas, tem pouca chance de manter sua posição por muito tempo. E os chimpanzés agem assim sem nunca terem lido Maquiavel.

Com cada indivíduo negociando com os melhores parceiros e vendendo seus próprios serviços, a estrutura para reciprocidade se torna de oferta e procura, precisamente o que Ronald Noë e Peter Hammerstein, então do Instituto Max Planck de Fisiologia Com-portamental, tinham em mente com a teoria do mercado biológico, que se aplica sempre que é possível escolher com quem negociar. Essa teoria postula que o valor das mercadorias varia com a disponibilidade. Os estudos a seguir aprimoram esse ponto.
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