|
 |
|
 |
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
Reportagem |
|
|
| edição 59 - Abril 2007 |
 |
|
| Cores ilusórias & o cérebro |
| Novas ilusões visuais sugerem que a percepção de cores está associada à de formas e profundidade. |
| por John S. Werner, Baingio Pinna e Lothar Spillmann |
 |
|
 |
| Folhas de outono e reflexos em uma fonte revelam a riqueza de informações transmitidas pelas cores. Muitos detalhes desaparecem na versão em preto-e-branco da foto |
 |
Importantes informações são perdidas quando se vê o mundo em preto-e-branco. As cores não apenas nos permitem enxergar o mundo com mais precisão, mas também criam qualidades emergentes que não existiriam sem elas. A fotografia da página ao lado, por exemplo, revela folhas de outono nas plácidas águas de uma fonte, juntamente com reflexos de árvores e um céu vespertino azul-escuro atrás delas. Na mesma cena vista em preto-e-branco, as folhas se destacam menos, os reflexos de luz são fracos, a água é quase invisível e a diferença aparente de profundidade entre o céu, as árvores e as folhas boiando não existe mais.
Ainda sim, esse papel que as cores exercem e mesmo sua verdadeira natureza não são bem reconhecidos. Muitas pessoas acreditam que a cor é uma propriedade definidora e essencial dos objetos, que depende inteiramente dos comprimentos de onda de luz específicos que são refletidos deles.
Mas essa crença é equivocada. A cor é uma sensação criada pelo cérebro. Se as cores que percebemos dependessem apenas do comprimento de onda da luz refletida, a cor de um objeto pareceria mudar drasticamente com variações de iluminação, com névoa, fumaça e luz de fundo. Pelo contrário, os padrões de atividade no cérebro mantêm a cor de um objeto relativamente estável, apesar de variações no seu ambiente.
Muitos pesquisadores que estudam a visão sustentam que a cor meramente nos auxilia na discriminação de objetos quando diferenças no brilho são insuficientes para tal tarefa. Alguns vão ainda mais longe e dizem que a cor é um luxo, e não realmente uma necessidade: afinal de contas, pessoas completamente daltônicas e muitas espécies de animais parecem se dar bem sem o grau de percepção de cor que a maioria dos humanos tem. A via de reações cerebrais responsável pela navegação e movimento, por exemplo, é essencialmente insensível às cores. |
|
1 2 3 4 5 6 7 8 9 » |
| John S. Werner, Baingio Pinna e Lothar Spillmann estudam ilusões como as apresentadas neste artigo. Werner nasceu no Nebraska, fez seu curso de graduação na Universidade de Kansas, recebeu seu Ph.D. em psicologia na Universidade Brown e realizou pesquisas no Instituto de Percepção TNO na Holanda. Atualmente é professor da Universidade da Califórnia em Davis. Pinna é professor da Universidade de Sassari na Itália e concluiu seus estudos de graduação e pós-graduação na Universidade de Pádua. Spillmann é coordenador do Laboratório de Psicofísica Visual da Universidade de Freiburg, Alemanha. Ele passou dois anos no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e cinco anos na Fundação da Retina e no Instituto do Olho e Ouvido de Massachusetts, em Boston. |
|
|
|
|
|
|
|
|