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Reportagem |
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| edição 81 - Fevereiro 2009 |
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| Darwin no Brasil - Encanto com a natureza e choque com a escravidão |
| Na passagem pelo Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, Darwin descobre um mundo novo de sedução e horrores |
| por Ulisses Capozzoli |
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Desenho: © Cortesia do Sr. G. P. Putnam. O Correio da Unesco /Divulgação |
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| Charles Darwin, em quem os críticos religiosos enxergaram um deturpador das revelações bíblicas, foi interpretado como o homem que verdadeiramente abriu as páginas do livro da criação, como sugere esta ilustração em bico de pena. |
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Em 27 de dezembro de 1831, depois de ser deslocado duas ou três vezes por ventos contrários, o HMS Beagle, um brigue com 10 canhões sob o comando do capitão Fitz-Roy deixou a localidade de Davenport, no sudoeste da Inglaterra, para uma viagem de quatro anos e nove meses ao redor do mundo. Um personagem, que a história tornaria o passageiro mais importante a bordo do Beagle, tinha pouco mais de 22 anos e havia sofrido alguns reveses profissionais antes de se envolver com a história natural. Charles Robert Darwin (Shrewsbury, 12 de fevereiro de 1809 – Downe, Kent, 19 de abril de 1882) cujo nome seria sinônimo de evolucionismo, ainda era um criacionista despreocupado quando o Atlântico se abriu à sua frente para a viagem que reformularia não apenas suas convicções pessoais, mas mudaria profundamente toda a história da ciência.
Darwin fez uma parada no arquipélago de Cabo Verde, onde registrou minuciosamente suas observações e se impressionou com o arquipélago de São Pedro e São Paulo, antes de passar por Fernando de Noronha. Mas foi no Rio de Janeiro, especialmente por uma incursão de alguns dias pelo interior, que pôde sentir a diversidade de Natureza que deveria conhecer antes de, inteiramente conta a vontade, tornar-se um evolucionista.
Em Viagens de um naturalista ao redor do mundo (Voyage of a naturalist round the world), onde faz um detalhado registro de sua longa exploração, Darwin dedica menos de dez páginas a Salvador, na Bahia, aonde chegou em 29 de fevereiro de 1833, para uma estada curta, mas já fascinado pela exuberância da natureza tropical.
Em 4 de abril o Beagle atracou no Rio de Janeiro e aí começaram as descobertas que, do ponto de vista natural, seduziram e encantaram o jovem naturalista, ainda que, do ponto de vista social tenham sido motivo de frustração, desencanto e, em alguns momentos, de completo horror. |
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 | Ulisses Capozzoli Editor de Scientific American Brasil, é jornalista especializado em divulgação científica, mestre e doutor em ciências pela Universidade de São Paulo. |
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