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Reportagem |
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| edição 81 - Fevereiro 2009 |
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| Darwin no Brasil - Encanto com a natureza e choque com a escravidão |
| Na passagem pelo Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, Darwin descobre um mundo novo de sedução e horrores |
| por Ulisses Capozzoli |
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Brasil. El Corcovado, en Rio de Janeiro/Reprodução |
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| Entrada da casa que Darwin ocupou, na base do Corcovado, onde observou, sistematicamente, de insetos à natureza geológica, passando pela sonoridade das chuvas tropicais ressoando na folhagem da floresta densa. |
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[continuação]
Música da natureza Nas últimas horas de viagem a cavalo, Darwin relata que “o caminho ficou cada vez mais difícil, porque atravessa uma terra selvagem e pantanosa”. O grupo viaja na região hoje conhecida como serra da Tiririca, atravessando a área das atuais cidades de Maricá, Saquarema, Araruama, São Pedro d’Aldeia, Cabo Frio, Casimiro de Abreu/Barra de São João, Macaé, Conceição de Macabu, Rio Bonito e Itaboraí.
Insetos luminosos, provavelmente vaga-lumes, segundo o relato, voam em torno do grupo de viajantes e o silêncio da noite permite que se ouça o quase indistinto rugido longínquo do mar.
Antes que o Sol nasça, no dia seguinte, a viagem recomeça, na seqüência de um pouso no que Darwin classifica de uma “choça miserável”. O calor crescente do dia que avança é amenizado pela observação de uma diversidade de aves pescadoras, entre elas as garças- reais, orquídeas e formações vegetais, compartilhada pelo perfume da floresta. Ao menos até a parada para almoço numa “venda” de construção franciscana, sem sequer vidro nas janelas, o que chama a atenção de Darwin. O diálogo inicial com o proprietário é amistoso, mas à medida que prossegue, Darwin se sente cada vez mais constrangido.
– Poderia nos servir um pescado? – pergunta ele, e a resposta é: – Oh!, não senhor. – E sopa? – Sinto muito senhor. – E pão? – Não temos, senhor.
Generalizando para experiências posteriores, Darwin conta que, de modo geral, podia dar-se por muito satisfeito se, ao final de uma espera de duas horas pelo menos, fosse possível comer carne de galinha, arroz e farinha. E em alguns casos era preciso ajudar a matar as galinhas a pedradas, antes da refeição. Famintos e cansados, quando timidamente queriam saber se as refeições demorariam, com freqüência ouviam como resposta:
– A comida estará pronta quando estiver. |
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 | Ulisses Capozzoli Editor de Scientific American Brasil, é jornalista especializado em divulgação científica, mestre e doutor em ciências pela Universidade de São Paulo. |
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