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Reportagem |
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| edição 81 - Fevereiro 2009 |
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| Darwin no Brasil - Encanto com a natureza e choque com a escravidão |
| Na passagem pelo Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, Darwin descobre um mundo novo de sedução e horrores |
| por Ulisses Capozzoli |
[continuação]
Sonho Tropical Darwin e sua equipe permaneceram dois dias na Fazenda Sossego, na viagem de retorno, quando ele se dedicou à coleta de insetos, observações botânicas e conversas com o proprietário que esculpia uma canoa num tronco único de 33 metros de comprimento (110 pés).
Em 19 de abril de 1832 o grupo deixa em definitivo a Fazenda Sossego, retomando o caminho difícil da ida. Nos campos arenosos que percorrem, Darwin diz que a pisada do cavalo no solo arenoso produz o som de um “débil grito”. No terceiro dia da viagem a rota é ligeiramente alterada em direção a uma aldeia (Madre de Deus) onde passa uma das principais estradas do Brasil. A via, no entanto, está em precárias condições e mal dá passagem a carros de boi. Outra cena que chama a atenção de Darwin são as inúmeras cruzes à beira da estrada, que, em vez de marcos de distância, assinalam pontos de mortes por assassinato. Em 23 de abril ele está de volta ao Rio de Janeiro.
O retorno ao Rio marca uma nova fase de êxtase com a natureza e coleta de espécimes animais e vegetais. Nesse período Darwin ficará hospedado em uma casa à beira-mar (cottage) em Botafogo. Sobre essas semanas diz que “é impossível sonhar com algo mais delicioso que essa estada de algumas semanas num país tão impressionante”. “Na Inglaterra”, continua Darwin “os interessados em história natural têm vantagem no sentido de que sempre descobrem alguma coisa que lhes chama a atenção, mas nesses climas tão férteis, repletos de seres animados, para fazer uma caracterização, descobertas novas são feitas a cada instante e são tão numerosas que só se pode avançar com dificuldade”.
O relato que segue, está inteiramente tomado por observações e descrições que chegam a detalhes mínimos. O calor incomoda, mas as chuvas que caem densas e ruidosas compensam todo o desconforto. O convite para uma caçada, feito por um padre português, também é motivo para observações, descobertas e extrapolações, como a habilidade de um garoto malvestido em particular, mas “dos brasileiros de forma geral” no uso da faca, da qual nunca se separam. |
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 | Ulisses Capozzoli Editor de Scientific American Brasil, é jornalista especializado em divulgação científica, mestre e doutor em ciências pela Universidade de São Paulo. |
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