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Reportagem |
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| edição 81 - Fevereiro 2009 |
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| Darwin no Brasil - Encanto com a natureza e choque com a escravidão |
| Na passagem pelo Brasil, especialmente no Rio de Janeiro, Darwin descobre um mundo novo de sedução e horrores |
| por Ulisses Capozzoli |
[continuação]
A casa no Rio de Janeiro está localizada na base do Corcovado, de onde Darwin acompanha a formação de nuvens, especula sobre a natureza rochosa da formação e relata a chuva densa que desaba numa manhã com sonoridade que lhe era inteiramente desconhecida. Darwin absorve a natureza local com paixão incontida retomando, entre outros relatos, observações sobre insetos luminosos, freqüentes durante a noite.
Também as formigas, mas ainda mais as aranhas, atraem seu interesse e o levam a explorar tanto regiões mais próximas do Corcovado como a visitar o Jardim Botânico, formado com a chegada da corte portuguesa, em 1808, em busca de refúgio contra a invasão da Península Ibérica por tropas napoleônicas.
Em 5 de julho Darwin deixa definitivamente o Rio de Janeiro e o Brasil rumo à Patagônia e à passagem (atual Passagem de Drake) que o levará às Galápagos e às observações que o conduzirão ao evolucionismo. Ainda que a um enorme custo pessoal e ao receio desesperado de, literalmente, implodir os valores de sua época, como se constata nas cartas angustiadas que trocou com sua prima e futura esposa, Emma Wedgwood. No final de 2008, o tetraneto de Darwin, Randal Keynes, conheceu a rota percorrida pelo naturista. |
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 | Ulisses Capozzoli Editor de Scientific American Brasil, é jornalista especializado em divulgação científica, mestre e doutor em ciências pela Universidade de São Paulo. |
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