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Reportagem |
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| edição 21 - Fevereiro 2004 |
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| Decifrando a esquizofrenia |
| Doença tem agora nova abordagens de tratamento |
| por Daniel C. Javitt e Joseph T. Coyle |
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| O mundo interior dos esquizofrênicos é frequentemente confuso, pontuado por vozes estranhas, paranóia e pensamentos ilógicos |
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Compreensão mais abrangente dos impulsos cerebrais nos portadores da doença oferece nova esperança de tratamento.
A palavra "esquizofrenia" hoje evoca nomes como John Nash e Andrea Yates. Nash, retratado no filme Uma Mente Brilhante, emergiu como um prodígio da matemática e recebeu o Prêmio Nobel por seu trabalho. Mas o distúrbio cerebral surgido quando jovem o perturbou tão profundamente que acarretou a perda de sua carreira acadêmica e o fez levar uma vida instável durante anos, antes de se recuperar. Yates, que sofria de depressão e esquizofrenia, afogou os filhos na banheira para "salvá-los do demônio" e está agora na prisão.
As experiências de Nash e Yates são típicas por um lado mas atípicas de outro. Em cerca de 1% da população mundial afetada por esquizofrenia, a maior parte permanece muito incapacitada por toda a vida adulta. Diferentemente de gênios como Nash, muitos demonstram inteligência abaixo da média mesmo antes de se tornarem sintomáticos e ainda sofrem um declínio do QI após a doença se instalar, invariavelmente durante o período adulto jovem. Infelizmente, somente uma minoria consegue obter um trabalho remunerado.
A doença pode ser tratada com medicamentos, mas eles são problemáticos. As principais opções atualmente, os antipsicóticos, eliminam todos os sintomas em somente cerca de 20% dos pacientes. (Aqueles com sorte suficiente que respondem ao tratamento tendem a manter o bom resultado caso continuem se tratando; muitos, todavia, abandonam a medicação, seja por causa dos efeitos colaterais, do desejo de ser "normal" ou da falta de acesso aos cuidados da saúde mental.) Dois terços obtêm algum alívio com os antipsicóticos, embora permaneçam sintomáticos por toda a vida, e o restante não apresenta uma resposta significativa.
Um arsenal inadequado de medicações é só um dos obstáculos no tratamento eficiente desse triste distúrbio. O outro diz respeito às teorias que guiam a terapia com drogas. As células cerebrais (neurônios) comunicam-se com moléculas denominadas neurotransmissores, que podem excitar ou inibir outros neurônios. Durante décadas, as teorias sobre a esquizofrenia focaram-se em um único neurotransmissor: a dopamina. Mas nos últimos anos, ficou claro que um desequilíbrio nos níveis dopaminérgicos é só uma parte da história e que, para muitos, as anormalidades mais importantes se encontram em algum outro fator. A suspeita recaiu, particularmente, na deficiência de um outro neurotransmissor, o glutamato. Os cientistas sabem agora que a esquizofrenia afeta virtualmente todas as partes do cérebro e que, diferentemente da dopamina, que desempenha um papel importante somente em regiões específicas, o glutamato é crucial em todos os locais. Como resultado, os pesquisadores estão buscando tratamentos capazes de reverter o déficit de glutamato subjacente. |
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| Daniel C. Javitt e Joseph T. Coyle estudaram a esquizofrenia por muitos anos. Javitt dirige o Program in Cognitive Neuroscience and Schizophrenia no Nathan Kline Institute for Psychiatric Research em Orangeburg, N.Y., e é professor de Psiquiatria na New York University School of Medicine. Uma publicação sua, demonstrando que a droga bloqueadora de glutamato, o PCP, reproduz os sintomas da esquizofrenia, foi a segunda mais citada publicação sobre o assunto na década de 90. Coyle é professor de Psiquiatria e Neurociência na Harvard Medical School e editor chefe da Archives of General Psychiatry. Ambos receberam inúmeros prêmios por suas pesquisas. |
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