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Reportagem |
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| edição 20 - Janeiro 2004 |
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| Decifrando os Raios |
| A fonte provável da energia que elaborou a vida |
| por Osmar Pinto Jr. e Iara Cardoso |
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| Imagem do primeiro raio induzido no Brasil, em 23 de novembro de 2000. Coloração esverdeada deve-se à vaporização do fio de cobre |
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A indução de raios artificiais pela técnica de foguetes e fios condutores chegou à região tropical - onde ocorrem cerca de 70% do total de raios do planeta. Esse processo promete desvendar parte de novos mistérios envolvendo os raios, ao mesmo tempo que deverá dar respostas a velhas questões.
Desde que a Terra iniciou um processo de resfriamento, há bilhões de anos, descargas elétricas na atmosfera têm sido constantes. Essa fonte de energia pode estar associada à origem da vida, na passagem da matéria inorgânica para a orgânica, como sugerem algumas versões da teoria clássica.
Descargas entre as nuvens e o solo, os raios são a maior evidência da eletrificação da atmosfera na Terra. Atualmente, cerca de 700 milhões de raios por ano lampejam pelo globo terrestre. Provocam em média duas mil mortes e pelo menos 30% da falta de energia elétrica, entre outros inúmeros prejuízos. Certamente é interessante esclarecer que 99% dos raios são do tipo descendentes. Originam-se nas nuvens e terminam na superfície do planeta.
No Brasil, ocorrem de 50 a 70 milhões de raios todo ano. Produzem em média uma centena de mortos e trazem perdas estimadas em R$ 500 milhões, na maior parte ao setor elétrico. O Brasil, devido à enorme extensão territorial e posição geográfica - a região tropical - pode ser considerado como o país de maior incidência de raios em todo o mundo, embora a região com maior densidade de raios por m2/ano esteja na África Central. |
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Osmar Pinto Jr. e Iara Cardoso OSMAR PINTO JR. é coordenador do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o primeiro membro brasileiro do Comitê Internacional de Eletricidade Atmosférica, criado em 1954 pela Associação Internacional de Meteorologia e Ciências Atmosféricas. É formado em Engenharia Eletrônica pela PUCRS, doutor em ciências espaciais pelo Inpe e pós-doutorando pela Universidade de Washington, nos EUA. É autor de mais de uma centena de artigos em revistas brasileiras e internacionais.
IARA CARDOSO é estudante de jornalismo da Faculdade de Comunicação e Artes da Universidade Mackenzie. |
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