Reportagem
  
edição 29 - Outubro 2004
Defesa do Fóton no Brasil
Durante estada no Rio, em 1925, Einstein fez a última palestra a favor da luz formada por partículas antes que a mecânica quântica triunfasse
por Salvador Nogueira
Einstein em visita ao Jardim Botânico do Rio de Janeiro
"Para achar a Europa agradável, é preciso visitar a América. Na realidade, as gentes de lá são desprovidas de preconceitos, mas são, ao contrário, em sua maioria, vazias e desinteressantes, ainda mais que entre nós"

Geralmente, a viagem tem sido apenas uma nota de rodapé nas obras de seus biógrafos, considerada desinteressante e mesmo sem importância. A bibliografia a respeito ainda é escassa. Mas os poucos estudiosos que resolveram se debruçar sobre os oito dias em que Albert Einstein esteve no Rio de Janeiro foram recompensados com um achado. Um artigo obscuro, escrito durante sua passagem pelo Brasil, não só marcou o fim de uma era no estudo da física, como possivelmente representou o último momento em que o físico alemão pôde olhar com igual apreço suas duas maiores contribuições à ciência: a relatividade geral e a concepção do fóton, a partícula da qual a luz é feita.

O ano era 1925, e Einstein, possivelmente a figura científica mais popular do mundo. O físico já colhia os louros pela conquista do Prêmio Nobel e, antes disso, pelo sucesso experimental de sua teoria da relatividade geral, evento que curiosamente também teve participação brasileira.

Ele chegou ao Rio em 21 de março de 1925, a bordo do transatlântico Cap. Polonio. Mas estava só de passagem, a caminho da Argentina. Passaria por lá e pelo Uruguai, e só retornaria ao Brasil, desta vez para conhecer melhor o Rio, em 4 de maio. Ficou hospedado no Hotel Glória, apartamento 400. Alguns eventos científicos estavam marcados para a sua estada. No primeiro deles, no dia 6, o cientista falou diante de um auditório abarrotado no Clube de Engenharia sobre a teoria
da relatividade restrita. Registrou em seu diário: "Às 4:00 PM, primeira conferência no Clube de Engenharia em um auditório lotado, com barulho da rua. As janelas estavam abertas. A acústica não permitia o entendimento. Pouco científico".

A segunda apresentação, realizada dois dias depois na Escola Politécnica, foi sobre relatividade geral e teve o número de pessoas limitado pela organização. Entre as duas palestras, foi organizada uma recepção a Einstein na sede da Academia Brasileira de Ciências (ABC). O evento reuniu mais de cem membros de várias instituições, uma grande homenagem em nome do cientista.
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