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Reportagem |
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| edição 93 - Fevereiro 2010 |
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| Dinheiro real de mundos virtuais |
| Jogos de fantasia on-line movimentam comércio bilionário de troca de ouro virtual por moeda de verdade, sobretudo em países asiáticos |
| por Richard Heeks |
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Anthony Gilmore Nameless films |
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| Condições de trabalho precárias definem muitas firmas de gold farming, algumas das quais adotam relógios de ponto para controlar as longas jornadas dos empregados diante do computador |
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Parece pergunta de um alquimista digital. Como transformar ouro virtual em real? Centenas de milhares de gold farmers (fazendeiros do ouro) em países em desenvolvimento já encontraram a lucrativa resposta. Hoje, eles são empreendedores que ganham a vida lucrando com jogos on-line. Ao assumir personagens de fantasia, matam monstros, mineram metais preciosos ou exercem atividades diversas para ganhar “ouro virtual”, que, em seguida, vendem a outros jogadores, na maioria de países ricos, por dinheiro do mundo real. Compradores e vendedores da moeda virtual usam esse ouro para determinar o destino dos personagens nos jogos de fantasia.
Na China, um gold farmer que vende dinheiro virtual pode ganhar um salário equivalente, ou até mais alto, que o de um montador de brinquedos que trabalha 12 horas por dia em uma fábrica. Assim, essa atividade, surgida há 10 anos, transformou-se numa engenhosa, embora controversa, maneira de as nações mais pobres ganharem dinheiro com tecnologia de informação e de comunicação, e também uma opção para trabalhadores pobres desenvolverem habilidades digitais que podem ser usufruídas posteriormente em outros empregos de TI, longe dos jogos on-line.
Em poucos anos, o gold farming se transformou em uma poderosa indústria. A melhor estimativa sugere que na Ásia, particularmente na China, onde está a maioria dos farmers: mais de 400 mil jogadores passam o dia acumulando ouro. O total anual de comércio em ouro virtual é de pelo menos US$ 1 bilhão. Estima-se que 10 milhões de jogadores em todo o mundo compram ouro ou serviços de gold farmers para avançar no jogo.
Antes praticamente invisível aos que não jogam, o gold farming agora interessa muito a economistas e sociólogos e é visto como um ponto de interseção onde ricos, pobres, o real e o virtual se cruzam. Nos últimos anos, acadêmicos e a mídia em geral desenvolveram um fascínio pela dinâmica de jogos que representam mundos minúsculos, movendo-se em velocidade acelerada – o destino de jogadores e grupos sofre ascensões e quedas em questão de dias e semanas, e não décadas ou séculos, como a vida humana. Interessei-me pelo fenômeno depois de me encontrar com comerciantes de ouro virtual enquanto participava de jogos de fantasia on-line. A relação desse empreendimento com o desenvolvimento internacional, minha área de especialização, direcionou-me para uma nova linha de pesquisa, explorando a sociologia e a economia do gold farming. |
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| Richard Heeks é presidente de Development Informatics e diretor do Center for Development Informatics da University of Manchester, na Inglaterra. Ele tem experiência de 30 anos na intersecção das tecnologias digitais, realizando consultoria para governos e agências internacionais. Ocasionalmente, e só para fins de pesquisa, é claro, ele pode ser encontrado jogando on-line. |
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