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Reportagem |
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| edição 39 - Agosto 2005 |
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| Diversidade da Maré Negra |
| A comparação entre dois derramamentos de petróleo na costa da França ajuda a entender como a Natureza se recupera desses desastres. |
| por Lucien Laubier |
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Frederic Lafargue/Gamma-Other images |
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| Barreiras flutuantes não foram suficientes para evitar o alastramento do óleo que vazou do naufrágio do petroleiro Erika. |
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Na manhã do dia 16 de março de 1978, a máquina que dirigia o petroleiro Amoco Cadiz sofreu um dano na entrada sul do canal da Mancha. Depois de diversas tentativas de reboque, o petroleiro gigante encalhou em um banco de areia diante de Portsall, na região francesa da Finisterra. E foi assim que 227 mil toneladas de petróleo acabaram ficando imobilizadas a menos de 3,6 km da costa. A partir das primeiras horas do dia 17 de março, o petróleo vazou, formando uma mancha de 6,5 km de raio. No dia 20 de março, a mancha principal media 16 km de largura por 72 km de comprimento, enquanto a poluição costeira se estendia de Aber Ildut, um estuário, até a ilha Vierge, chegando à comuna de Roscoff no dia 21 e depois se estendendo da ilha de Batz à ilha de Bréhat no dia 23 .
Vinte e um anos mais tarde, em 12 de dezembro de 1999, o petroleiro Erika, em rota na baía de Biscaya, enviava um sinal de emergência em meio a uma tormenta, porque estava se rompendo. Depois de a parte frontal já ter afundado, o navio rebocador de alto-mar Abeille Flandre tenta puxar sua parte de trás, mas esta começa a vazar no início da tarde do dia 13. Fracionado a uma infinidade de pequenas manchas, o óleo levou diversos dias para atingir a costa, que acabou poluída da Finisterra à Vendéia.
Na Bretanha e em toda a França, milhares de voluntários se mobilizaram durante meses para limpar as praias. E mesmo após o trabalho ser finalizado, o impacto ecológico profundo dessas catástrofes sobre o litoral, sua fauna e sua flora permaneceu uma questão em aberto. Hoje, porém, o programa de estudos sobre a maré negra do Erika se encerrou: o óleo pesado e tóxico desse pequeno petroleiro perturbou muito o ecossistema litoral, mas pouco o ecossistema submarino, enquanto aconteceu em grande medida o contrário com o óleo leve do gigante Amoco Cadiz. Um balanço ecológico dessas duas catástrofes pode esclarecer a causa dessas diferenças.
O estudo de uma maré negra depende antes de tudo do comportamento, no mar, do petróleo derramado e, portanto, de sua natureza. Distinguimos três grandes famílias de hidrocarbonetos. A primeira é a dos hidrocarbonetos alifáticos saturados ou alcanos. A segunda, dos hidrocarbonetos aromáticos insaturados. A terceira, das resinas e asfaltenos, moléculas de alto peso molecular que contêm freqüentemente metais (níquel e vanádio) também chamadas de alcatrões ou betumes . |
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| Lucien Laubier Diretor do Instituto Oceanográfico de Paris, integrante da Académie de Marine e professor de oceanografia da Universidade do Mediterrâneo em Marselha, tem diversos trabalhos científicos publicados sobre o impacto ambiental de marés negras. |
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