Reportagem
  
edição 36 - Maio 2005
Duro combate ao Lúpus
Deduzir as causas dessa doença auto-imune constitui um desafio. A recompensa deverá ser o desenvolvimento de terapias melhores e mais específicas.
 
O Lúpus, tecnicamente denominado Lupus erythematosus, significa "lobo vermelho". Foi assim denominado devido a uma mancha no rosto peculiar à doença que frequentemente deixa as pessoas com aparência de lobo.
Uma mulher de 24 anos submete-se a uma avaliação médica devido a insuficiência renal e convulsões semelhantes à epilepsia que não reagem a drogas específicas. Seu sinal mais visível de doença, porém, é uma mancha cutânea avermelhada em forma de borboleta no rosto. Uma mulher de 63 anos vai ao hospital para tentar descobrir por que sente fadiga, suas articulações doem, e ao respirar, às vezes, sente dor aguda.

Desde jovem, ela evita o sol, que lhe provoca bolhas dolorosas na pele desprotegida. Outra mulher de 20 anos fica surpresa ao saber, depois de um exame de rotina, que o nível de proteína em sua urina está anormalmente elevado - sinal de distúrbio da função renal. Uma biópsia do rim revela inflamação.

Embora os sintomas variem, a doença das três pacientes é a mesma - lúpus eritematoso sistêmico, que atinge cerca de 1,4 milhão de americanos, entre eles uma em cada 250 mulheres afro-americanas entre 18 e 65 anos. A doença pode afetar pele, articulações, rins, coração, pulmões, vasos sangüíneos ou o cérebro. E até matar.

Há bastante tempo, os cientistas sabem que o lúpus surge de uma disfunção imunológica que envolve moléculas de anticorpos. O organismo saudável produz anticorpos em resposta a invasores, como bactérias. Eles se ligam a moléculas do invasor que são percebidas como estranhas (antígenos) e então causam-lhes danos ou as marcam para que sejam destruídas por outras partes do sistema imunológico. Em pacientes com lúpus, porém, os anticorpos percebem suas próprias moléculas como estranhas e as atacam.
1 2 3 4 5 6 7 8 9 »
Veja aqui todas as reportagens publicadas neste site!