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Reportagem |
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| edição 82 - Março 2009 |
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| Efeitos globais do bife brasileiro |
| Desmatamento para pastagens na Amazônia é responsável por aproximadamente 50% dos gases de efeito estufa no país |
| por Igor Zolnerkevic |
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© VALTER CAMPANATO/ABR |
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| ALÉM DA liberação de gases no processo digestivo, a pecuária também contribui com o efeito estufa pela derrubada de florestas |
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[continuação]
Pressão Externa Com base no relatório da FAO, apareceram notícias, principalmente na mídia européia, estimando que 1kg de carne bovina brasileira produz 45kg de CO2-equivalente, enquanto a européia registra entre 15 kg e 25 kg de carbono por 1kg de carne, diz Matheus de Almeida, mestrando em economia aplicada na Escola Superior de Agricultura da Universidade de São Paulo (Esalq-USP). Para ele “o setor produtivo nacional teme boicotes e barreiras tarifárias”.
Almeida integrou uma equipe coordenada por Sérgio De Zen, da Esalq, que produziu no ano passado um relatório sobre os impactos ambientais e as emissões de GEE da pecuária de corte brasileira. O relatório foi encomendado pela Confederação da Agricultura e Pecuária (CNA), que representa pecuaristas de grande porte. O relatório concentrou-se em fontes de GEE como o metano, emitido durante a digestão dos animais.
Os comportamentos estão mudando no meio pecuarista. Magda Lima, pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente, em Jaguariúna, interior de São Paulo, relata: “Antes tínhamos de falar com os produtores com muito cuidado sobre esse assunto”. Segundo ela, soava como insulto dizer que “o gado emite metano”. Magda Lima coordena a redação de outro relatório sobre emissões de GEE da pecuária nacional que será concluído ainda este ano. Essa pesquisa reflete “uma pressão externa para reduzir as emissões, e precisamos ajudar o setor produtivo nessa tarefa,” argumenta ela.
O relatório da Esalq cita um estudo de De Zen, Lima e colaboradores – publicado em 2007– projetando o impacto ambiental do rebanho brasileiro para 2025, com base nas taxas atuais de melhoramento da produção de carne bovina nacional. A conclusão foi que, embora o rebanho futuro deva ser 7% maior que o atual, a produção de carne aumentará em 25%, enquanto as emissões de metano, o principal GEE da pecuária, crescerão apenas 3%. |
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| Igor Zolnerkevic jornalista científico, já colaborou com publicações como o jornal Folha de S.Paulo e a revista Pesquisa Fapesp. Mantém o blog Universo Físico. |
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