|
 |
|
 |
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
Reportagem |
|
|
| edição 82 - Março 2009 |
 |
|
|
« 1 2 3 4 5 6 7 8 » |
| Efeitos globais do bife brasileiro |
| Desmatamento para pastagens na Amazônia é responsável por aproximadamente 50% dos gases de efeito estufa no país |
| por Igor Zolnerkevic |
 |
© MARCELLO CASAL JR/ABR |
 |
| CONSÓRCIO ENTRE floresta e pastagens, capaz de amenizar impacto ambiental da pecuária ainda não tem aceitação no campo |
 |
[continuação]
Almeida justifica essa conclusão pela sofisticação do agronegócio: “A pecuária está deixando o estágio de subsistência e de investimento em longo prazo. Antes não havia a preocupação de ser o mais eficiente possível. Agora existem empresários tomando conta do setor”, justifica. “Se a pecuária continuar a evolução que vem mostrando nos últimos anos, há espaço para ganho de peso, redução da idade de abate, aumento da taxa de prenhez e aproveitamento de carcaças”. E a produção de carne deve crescer mais que o aumento proporcional do rebanho, prevê.
Confinamento Mesmo com a expectativa de que as emissões de GEE se estabilizem, é preciso reconhecer que os índices atuais já são críticos e devem diminuir, consideram pesquisadores que atuam nessa área. Para atingir esse resultado, tanto o relatório da FAO como especialistas nesse segmento recomendam políticas públicas para incentivar a mudança do sistema predominante no Brasil, a criação extensiva, com o gado solto no pasto. A opção é pelo sistema de confinamento.
Pesquisadores brasileiros, no entanto, questionam a base econômica e ambiental dessa alternativa. “No Brasil, grandes grupos fazem confinamento de gado e têm prejuízos”, diz Almeida. Argumenta que “além do custo de implantação – estender cercas, construir cochos para alimentação e tudo o mais – é necessário um capital de giro elevado para manter um grande estoque de ração, em torno de 10 kg/dia por animal”. Economicamente não é possível, na avaliação de Almeida, propor confinamento a pecuaristas com rebanhos inferiores a 50 cabeças.
“Queremos acreditar que o confinamento seja um sistema sustentável, mas é preciso verifi car o balanço dos gases, o quanto entra e sai”, observa Lima. O relatório da Esalq aponta, por exemplo, que a ração à base de grãos de soja para o animal confinado, rica em proteína, aumenta a liberação de óxido nitroso (NO2), gás que contribui 296 vezes mais para o efeito estufa que o dióxido de carbono. “O confinamento pode ser adotado como solução para pequenas regiões produtivas, onde o sistema de produção de gado não tem alternativa viável”, diagnostica o relatório. |
|
« 1 2 3 4 5 6 7 8 » |
| Igor Zolnerkevic jornalista científico, já colaborou com publicações como o jornal Folha de S.Paulo e a revista Pesquisa Fapesp. Mantém o blog Universo Físico. |
|
|
|
|
|
|
|
|