Reportagem
  
edição 82 - Março 2009
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Efeitos globais do bife brasileiro
Desmatamento para pastagens na Amazônia é responsável por aproximadamente 50% dos gases de efeito estufa no país
por Igor Zolnerkevic
[continuação]

Alternativas
Aumentar a eficiência da criação extensiva com a melhoria de qualidade das pastagens é a alternativa mais imediata ao confinamento, sugere o relatório da Esalq. Com pastagens de melhor qualidade é possível adensar o número de cabeças por unidade de área, ou seja, criar mais gado em menos espaço e assim reduzir os GEE em 10%. “Algumas regiões de produção têm densidade de 0,5 animal por hectare, quando o ideal deve ser 1,2 animal por hectare”, avalia Almeida. Essa relação, acredita ele, é uma forma de elevar a produtividade, com resultados positivos para produtor e ambiente.

Mas essa relação mais eficiente demanda investimentos para reformulação e manutenção das pastagens, identifica o pesquisador, para quem “a maioria dos produtores não cuida de suas terras por falta de recursos”. Ao menor sinal de aperto financeiro, no diagnóstico do pesquisador, os produtores negligenciam a qualidade das pastagens, “até mesmo com uso do fogo, que não só degrada o solo como deprecia a propriedade”.

Além de melhorar a qualidade das pastagens, pesquisas em diversos países recomendam mudanças na dieta, fisiologia e até na genética dos rebanhos como forma de diminuir as emissões de metano. O gás é produzido quando bactérias e protozoários, no sistema digestivo do animal, decompõem os resíduos da digestão da celulose. Apenas o melhoramento genético poderia reduzir essas emissões em até 30%.

Nesse esforço de mitigação de gases de efeito estufa, outra alternativa é a integração entre pastagens e floresta, identifica Almeida. A proposta desse sistema silvipastoril é criar o gado em pastagens consorciadas, com árvores cultivadas para a produção de madeira, papel, carvão vegetal, ou apenas para serviços ambientais; função que também permite receitas adicionais. Isso já ocorre em países latino-americanos como Colômbia e Costa Rica. Uma vantagem adicional, nesse caso, é que o consórcio pastagens/florestas permite que as emissões liberadas pela pecuária sejam seqüestradas pelo crescimento das florestas cultivadas. Neste caso, uma fazenda pode ser “neutra enquanto emissora de gases de efeito estufa”, analisa o pesquisador.

Carbono no Solo
Mesmo a pecuária isolada, devidamente manejada, é capaz de seqüestrar carbono atmosférico. Nesse caso, medidas como manutenção de vegetação adequada, faz com que o carbono se agregue à matéria orgânica do solo. Uma pastagem bem manejada pode absorver até uma tonelada de carbono por hectare, indicam as pesquisas de campo. Alguns estudos da unidade da Embrapa de São Carlos sugerem até 12 toneladas por hectare de estocagem de carbono, segundo Almeida.
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Igor Zolnerkevic jornalista científico, já colaborou com publicações como o jornal Folha de S.Paulo e a revista Pesquisa Fapesp. Mantém o blog Universo Físico.
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