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Reportagem |
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| edição 82 - Março 2009 |
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| Efeitos globais do bife brasileiro |
| Desmatamento para pastagens na Amazônia é responsável por aproximadamente 50% dos gases de efeito estufa no país |
| por Igor Zolnerkevic |
[continuação]
Dados produzidos pela equipe internacional de cientistas que integram o programa da ONU sobre mudanças climáticas, no entanto, sugerem que o estoque de carbono no solo ocorre por um período curto, em torno de 25 anos. Isso faz com que essa alternativa seja recusada como um verdadeiro sorvedouro de GEE. Outras pesquisas, no entanto, desenvolvidas no Brasil e no exterior, envolvendo solos tropicais, mostram que a estocagem pode acontecer por períodos muito maiores, de até 100 anos.
Assegurar que o carbono fixado no solo retorne à atmosfera em determinado período de tempo é, na realidade, uma generalização grosseira. “Frações de matéria orgânica são mineralizadas em poucas horas, mas outros volumes permanecem no solo por séculos”, avalia Ítalo Guedes, pesquisador da Embrapa Hortaliças, em Brasília. Ele acredita que uma das principais razões para a convenção do clima da ONU ainda rejeitar a fixação de carbono no solo, está na dificuldade de se medir exatamente o quanto um certo tipo de manejo contribui para o sequestro de carbono.
O que ocorre, neste caso, é a incompatibilidade de utilizar uma mesma metodologia tanto para solos de clima temperados como tropicais. “As regiões tropicais têm solos muito mais profun- dos que os das regiões temperadas, conhecidos como latossolos, com estrutura bem estável”, argumenta Guedes. Os latossolos armazenam grandes quantidades de carbono a profundidades superiores a um metro, ou seja, em níveis distintos aos que os métodos convencionais costumam considerar. Se a estocagem for feita em latossolos – que cobrem a maior parte do território brasileiro – os valores acabarão subestimados, mas o carbono não contabilizado será exatamente o mais protegido e estável, assegura o pesquisador da Embrapa.
Novos Dados Magda Lima, da unidade da Embrapa de Jaguariúna, em complemento às considerações de Guedes, observa que os números sugeridos pelo IPCC e utilizados em projeções de emissões de GEE estão baseados em trabalhos restritos a regiões temperadas. As referências envolvendo a região tropical são escassas. A Embrapa, por exemplo, começou a medir emissões de NO2 e encontrou números diferentes dos sugeridos pelo IPCC, de acordo com a pesquisadora. |
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| Igor Zolnerkevic jornalista científico, já colaborou com publicações como o jornal Folha de S.Paulo e a revista Pesquisa Fapesp. Mantém o blog Universo Físico. |
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