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Reportagem |
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| edição 85 - Junho 2009 |
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| Escassez de alimentos e ameaças à civilização |
| O maior risco à estabilidade global é o potencial da crise alimentar de provocar a derrocada de governos em países pobres. Essa crise está sendo gerada pelo constante agravamento da degradação ambiental |
| por Lester R. Brown |
[continuação]
Geralmente, aqüíferos são depósitos de água renováveis, mas isso não ocorre com alguns dos mais importantes deles: os “aqüíferos fósseis”, assim chamados porque “armazenam água antiga e não podem ser reabastecidos pelas precipitações”. Por esse motivo – incluindo o vasto Aqüífero Ogallala, sob as Grandes Planícies dos Estados Unidos, o aqüífero Saudita e o profundo aqüífero sob o norte da planície da China – o esvaziamento desses reservatórios pode ser o fim do bombeamento. Em regiões áridas, essa perda também pode colocar um ponto final na agricultura.
Na China, o lençol freático sob a planície do Norte chinês, uma área que produz mais da metade do trigo e a terça parte do milho, está decrescendo rapidamente. Bombeamento excessivo vem utilizando a maior parte da água da parte rasa do aqüífero, forçando os perfuradores de poços a recorrer à área profunda, que não é renovável. Um relatório do Banco Mundial prevê “conseqüências catastróficas para as futuras gerações”, a menos que o uso e fornecimento de água possam rapidamente voltar ao equilíbrio.
Ao ritmo em que vêm caindo os níveis dos lençóis freáticos e secam os poços para irrigação, a safra de trigo da China, a maior do mundo, diminuiu em 8% desde o pico de 123 milhões de toneladas em 1997. No mesmo período, a produção de arroz caiu 4%. A nação mais populosa do mundo pode, em breve, estar importando quantidades enormes de grãos.
Mas a escassez de água é ainda mais preocupante na Índia. Ali, a margem entre o consumo de alimentos e a sobrevivência é ainda mais precária. Milhões de poços para irrigação vêm derrubando os níveis dos lençóis freáticos em quase todos os estados. Como relatou Fred Pearce na New Scientist:
Metade dos tradicionais poços perfurados manualmente e milhões de poços com canos de baixa profundidade já secaram, trazendo uma onda de suicídios entre os que dependiam dessas fontes. Apagões elétricos estão atingindo proporções epidêmicas em estados onde metade da eletricidade é usada para bombear água de profundidades superiores a 1 km.
Um estudo do Banco Mundial relata que 15% do suprimento de alimentos na Índia são produzidos com água de minas superficiais. Em contrapartida, informa que 175 milhões de indianos consomem grão produzido com água de poços para irrigação que estarão exauridos em breve. A contínua retração dos suprimentos de água pode levar a inimagináveis escassez de alimentos e conflito social. |
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| Lester R. Brown Na definição do Washington Post, é “um dos mais influentes pensadores do mundo”. O Telegraph, de Calcutá, vem chamando Brown de “guru do movimento ambientalista”. Brown é fundador do Worldwatch Institute (1974) e do the Earth Policy Institute (2001), que é dirigido por ele hoje. É autor ou coautor de 50 livros; seu mais recente trabalho é Plano B 3.0: Mobilizando para salvar a civilização. Já recebeu muitos prêmios e homenagens, incluindo 24 títulos honorários e um MacArthur Fellowship. |
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