Reportagem
  
edição 85 - Junho 2009
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Escassez de alimentos e ameaças à civilização
O maior risco à estabilidade global é o potencial da crise alimentar de provocar a derrocada de governos em países pobres. Essa crise está sendo gerada pelo constante agravamento da degradação ambiental
por Lester R. Brown
[continuação]

Menos Solo, Mais Fome
O escopo da segunda temível tendência – a perda de terras aráveis – também assusta. A camada arável do solo está se erodindo mais rapidamente que a formação de solos novos em talvez um terço do solo agriculturável do planeta. Essa fina camada de nutrientes essenciais às plantas, o mais básico fundamento da civilização, levou longos períodos geológicos para ser formada, embora tenha geralmente 15 cm de profundidade. Sua perda, devido à erosão por ação do vento e água, já levou civilizações antigas ao colapso.

Em 2002, uma equipe das Nações Unidas avaliou a situação alimentar no Lesoto, o pequeno lar de dois milhões de pessoas embutido na África do Sul. A descoberta da equipe foi objetiva: “A agricultura no Lesoto está diante de um futuro catastrófico; a produção das colheitas está decaindo e pode cessar simultaneamente em grandes partes do país, se medidas não forem adotadas no sentido de reverter a erosão, degradação e declínio da fertilidade do solo”.

No hemisfério ocidental, o Haiti – um dos primeiros estados a ser reconhecido como falimentar – era, com folga, auto-suficiente em grãos há 40 anos. Mas, desde então, o país perdeu quase todas as suas florestas e muito de seu solo arável, sendo forçado a importar mais da metade de seus grãos.

A terceira e talvez mais difundida ameaça à segurança alimentar – elevação da temperatura da superfície – pode afetar a produtividade das colheitas em todos os lugares. Em muitos países a lavoura cresce em seu optimum termal, ou perto dele. Portanto, um pequeno aumento da temperatura durante o período de crescimento das plantas pode levar à diminuição da safra. Um estudo publicado pela National Academy of Sciences, dos Estados Unidos, confirmou uma regra empírica conhecida entre ecologistas das colheitas: para cada aumento de 1oC sobre o patamar-padrão, trigo, arroz e milho sofrem uma quebra de 10%.
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Lester R. Brown Na definição do Washington Post, é “um dos mais influentes pensadores do mundo”. O Telegraph, de Calcutá, vem chamando Brown de “guru do movimento ambientalista”. Brown é fundador do Worldwatch Institute (1974) e do the Earth Policy Institute (2001), que é dirigido por ele hoje. É autor ou coautor de 50 livros; seu mais recente trabalho é Plano B 3.0: Mobilizando para salvar a civilização. Já recebeu muitos prêmios e homenagens, incluindo 24 títulos honorários e um MacArthur Fellowship.
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