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Reportagem |
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| edição 85 - Junho 2009 |
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| Escassez de alimentos e ameaças à civilização |
| O maior risco à estabilidade global é o potencial da crise alimentar de provocar a derrocada de governos em países pobres. Essa crise está sendo gerada pelo constante agravamento da degradação ambiental |
| por Lester R. Brown |
[continuação]
A estabilização da população e erradicação da pobreza seguem de mãos dadas. De fato, a chave para acelerar a direção rumo a famílias menores é erradicar a pobreza – e vice-versa. Uma forma assegurar ao menos educação fundamental a todas as crianças. Outra é fornecer atendimento de saúde básica no nível de pequenas cidades, de forma que as pessoas possam ter confiança em que suas crianças irão sobre viver até a idade adulta. Mulheres em todos os lugares precisam ter acesso à saúde reprodutiva e a serviços voltados ao planejamento familiar.
O quarto componente, restaurar os sistemas e recursos naturais da terra, incorpora uma iniciativa em nível mundial para deter a queda nos níveis dos lençóis freáticos ao aumentar a produtividade da água: a mais útil atividade que puder ser extraída de cada gota. Isso implica seguir na direção de sistemas de irrigação mais eficientes e de culturas mais eficientes no uso da água. Em alguns países, isso implica cultivar (e comer) mais trigo que arroz, considerando que o arroz é uma cultura de uso intenso da água. E, para indústrias e cidades, implica fazer aquilo que algumas já estão fazendo, ou seja, reciclar a água continuamente.
Ao mesmo tempo, precisamos lançar um esforço em escala mundial visando a conservação do solo, similar à resposta dos Estados Unidos à Dust Bowl dos anos 30. Criar terraços, plantar árvores que sirvam de cinturão contra a erosão decorrente do sopro dos ventos e praticar o plantio direto, quando o solo não é arado e os resíduos da cultura são deixados no campo, estão entre as mais importantes medidas para a conservação do solo.
Não há nada de novo sobre nossos quatro objetivos, todos inter-relacionados. Eles já foram discutidos individualmente durante anos. De fato, criamos instituições inteiras para lidar com alguns deles, como o Banco Mundial para aliviar a pobreza. E fizemos progresso substancial em algumas regiões do mundo em ao menos um deles – a distribuição de serviços ligados ao planejamento familiar associada a uma orientação voltada a famílias pequenas, capazes de garantir estabilidade populacional.
Para muitos na comunidade do desenvolvimento, os quatro objetivos do Plano B foram vistos como positivos, promovendo o desenvolvimento desde que não custem muito caro. Outros os encararam como objetivos humanitários – politicamente corretos e moralmente apropriados. Agora, uma terceira vertente mais racional e importante se apresenta: atingir esses objetivos pode ser necessário para prevenir o colapso de nossa civilização. E, além disso, o custo que projetamos para salvar a civilização não atinge a soma de US$ 200 bilhões anuais, um sexto dos gastos militares globais na atualidade. Em síntese, o Plano B é o novo orçamento de segurança. |
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| Lester R. Brown Na definição do Washington Post, é “um dos mais influentes pensadores do mundo”. O Telegraph, de Calcutá, vem chamando Brown de “guru do movimento ambientalista”. Brown é fundador do Worldwatch Institute (1974) e do the Earth Policy Institute (2001), que é dirigido por ele hoje. É autor ou coautor de 50 livros; seu mais recente trabalho é Plano B 3.0: Mobilizando para salvar a civilização. Já recebeu muitos prêmios e homenagens, incluindo 24 títulos honorários e um MacArthur Fellowship. |
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