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Reportagem |
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| edição 85 - Junho 2009 |
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| Estratégias discursivas |
| A repetição da idéia de que a saúde está em crise no Brasil não corresponde à realidade e funciona como camuflagem para um modelo de viés mercadológico. Investimentos nacionais, comparativamente, chegam a superar montante de países desenvolvidos |
| por Eduardo Bueno Fonseca Perillo e Maria Cristina Amorim |
[continuação]
A criação do SUS, em 1988, ocorre em um contexto de transição do padrão controlado pelo hospital para aquele pautado por um novo ator, a indústria de medicamentos.
Na primeira situação, a centralização física das atividades de prestação de serviços nos hospitais repete-se na centralização do modelo como um todo. Os períodos ditatoriais dos governos brasileiros, Vargas, de 1930 a 1945, e os militares, de 1964 a 1985, agem no mesmo sentido. E o SUS, no bojo dos anseios sociais pela redemocratização, defende e defenderá a descentralização como uma das condições para melhorar o atendimento.
Descentralizar é distribuir poder e dinheiro. Não é tarefa fácil. Foi e continua sendo alvo de críticas. O relatório “Desempenho Hospitalar no Brasil”, já mencionado e patrocinado pelo Banco Mundial, critica o modelo descentralizado do SUS, sobretudo a autonomia dos municípios, considerada excessiva, apontando-a, entre outras, como uma das causas da ineficiência (sic) do sistema de saúde brasileiro.
A partir do final da década de 70, dados os controles governamentais sobre o balanço de pagamentos e a restrição à importação de materiais de consumo e de tecnologia menos sofisticada, a tecnificação da medicina no Brasil permitiu a instalação de uma indústria local de materiais médicos. Em 2009, a produção de insumos nacionais encontra- se bastante desenvolvida, mas voltada para equipamentos de tecnologia já dominada pelo parque industrial nacional. Dependemos ainda da importação de equipamentos de tecnologia de ponta, visto que os investimentos em pesquisa e desenvolvimento são escassos, e as parcerias entre universidades e empresas permanecem embrionárias. |
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| Eduardo Bueno Fonseca Perillo e Maria Cristina Amorim Eduardo Bueno Fonseca Perillo é graduado em medicina e doutor em história da economia pela USP. Há mais de uma década trabalha com educação continuada para executivos em estudos econômicos e gestão de saúde pública e privada no Brasil. Maria Cristina Amorim, economista, é professora titular e coordenadora do Núcleo de Pesquisas em Regulação Econômica e Estratégias Empresariais da PUC/SP. |
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