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Reportagem |
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| edição 83 - Abril 2009 |
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| Ferreiros da Mata Atlântica |
| Observações em campo sugerem convergência evolutiva entre o canto da perereca-de-marsúpio e o da araponga |
| por André Pinassi Antunes e Célio F. B. Haddad |
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ARQUIVO DOS AUTORES |
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| NO INTERIOR DA MATA ATLÂNTICA, condicionamentos ambientais levaram a Perereca de-Marsúpio (Gastrotheca microdisca) a desenvolver, pelo processo de convergência, canto semelhante ao da Araponga (Procnias nudicollis). Pesquisadores ainda não sabem quais benefícios o anfíbio pode obter. |
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Difícil imaginar outro animal capaz de emitir um canto parecido com a metálica e estridente sonoridade da araponga (Procnias nudicollis). Curiosamente, uma perereca dá conta dessa façanha. De hábitos pouco conhecidos, a perereca-de-marsúpio (Gastrotheca microdisca) exibe canto semelhante, que a longas distâncias pode confundir os ouvidos mais apurados. Mas por quê animais tão diferentes, aparentemente, convergiram para vocalizações tão similares? As respostas permanecem desconhecidas, mas algumas características ecológicas que essas espécies endêmicas da Mata Atlântica compartilham, indicam que elas podem não ser tão diferentes assim. Além disso, cantar parecido com a araponga talvez possa trazer benefícios para a perereca-de-marsúpio.
Afora sua imensa biodiversidade e uma expressão paisagística sem paralelos, a Mata Atlântica também é palco de uma sinfonia que envolve curiosa semelhança entre o canto de duas espécies endêmicas dessa floresta: uma ave e um anfíbio anuro, do grupo dos sapos, rãs e pererecas. Genericamente, podem ser denominados simplesmente sapos, mas os zoólogos costumam se referir aos sapos, como aquelas espécies terrestres, em geral grandes e que apresentam pele rugosa e duas glândulas de veneno desenvolvidas atrás dos olhos. As rãs também são terrestres, de tamanho variável e têm a pele mais lisa que os sapos. Já as pererecas são animais delgados, arborícolas, e para isso têm discos adesivos arredondados nas pontas dos dedos que permitem escalar a vegetação.
A vocalização, tanto nos anuros como nas aves, é uma das principais formas de comunicação social. Entre outras razões, o canto reprodutivo de um macho deve atrair uma fêmea, ou ainda, manter distanciamento entre machos que estejam competindo pela atenção das fêmeas. |
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| André Pinassi Antunes e Célio F. B. Haddad André Pinassi Antunes cursou biologia e tem mestrado em zoologia pela Unesp, Rio Claro, SP. Atualmente vive no Amazonas, onde integra a associação sócio-ambientalista ‘Instituto Piagaçu’, que atua junto a comunidades ribeirinhas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, no baixo rio Purus, Amazônia Central. Célio F. B. Haddad, biólogo, é mestre e doutor em ecologia pela Unicamp. É livre-docente pela Unesp e atualmente é Professor Titular de Vertebrados no Departamento de Zoologia da Unesp, em Rio Claro, SP. |
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