Reportagem
  
edição 83 - Abril 2009
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Ferreiros da Mata Atlântica
Observações em campo sugerem convergência evolutiva entre o canto da perereca-de-marsúpio e o da araponga
por André Pinassi Antunes e Célio F. B. Haddad
© MARCELO CAZANI
[continuação]

Dificuldades de Pesquisa
A dificuldade para coletar exemplares da perereca-de-marsúpio, devido especialmente a seu hábito arborícola, embaraça a classificação desses animais, tarefa da taxonomia. Elas são pouco representadas nas coleções científicas disponíveis. Além disso, existe grande dificuldade para determinar características peculiares de cada espécie, chamadas pelos taxonomistas de caracteres diagnósticos, imprescindíveis à classificação e identificação de espécies. Como existem outras espécies do gênero Gastrotheca na serra do mar, na borda leste do sudeste do Brasil, a diferenciação entre elas ainda é um desafio. Não seria de espantar se um taxonomista interessado em estudá-las, designar essa perereca – que observamos por um nome distinto, após descobrir que Gastrotheca microdisca, descrita de Ponta Grossa no Paraná e cujo material utilizado na descrição não se encontra no Brasil – apresenta características sutilmente diferentes...

No decorrer de estudos com os anuros na serra de Paranapiacaba, ao sul do estado de São Paulo, onde está o maior remanescente da Mata Atlântica, reunimos informações sobre esse animal e gravamos sua vocalização. É intrigante a semelhança desse canto com o da araponga. Esse fato também foi, recentemente, observado por outros pesquisadores em um estudo sobre Gastrotheca na serra dos Orgãos no Rio de Janeiro. Especialmente, tivemos a oportunidade de registrar interações acústicas entre pererecas-de-marsúpio e arapongas, quando, surpreendentemente, respondiam ao canto uma da outra.

Entre os ramos da biologia, a bioacústica envolve a gravação de sons dos animais, geralmente na Natureza, e posterior análise em aplicativos especializados (softwares), onde obtêm parâmetros acústicos, caso da estrutura das notas, duração e faixas de freqüência, entre outros. A vocalização é um importante caráter diagnóstico, pois é peculiar a cada espécie e, assim, permite a diferenciação entre elas, tanto na Natureza quanto em laboratório.
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André Pinassi Antunes e Célio F. B. Haddad André Pinassi Antunes cursou biologia e tem mestrado em zoologia pela Unesp, Rio Claro, SP. Atualmente vive no Amazonas, onde integra a associação sócio-ambientalista ‘Instituto Piagaçu’, que atua junto a comunidades ribeirinhas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável Piagaçu-Purus, no baixo rio Purus, Amazônia Central. Célio F. B. Haddad, biólogo, é mestre e doutor em ecologia pela Unicamp. É livre-docente pela Unesp e atualmente é Professor Titular de Vertebrados no Departamento de Zoologia da Unesp, em Rio Claro, SP.
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