Todo ano, enormes tempestades giratórias, com ventos de mais de 120 km/h, varrem os mares tropicais e atingem a costa. Quando essas tempestades (chamadas de furacão nos oceanos Atlântico e Pacífico Leste, de tufão no Pacífico Oeste e de ciclone no Oceano Índico) passam por áreas densamente povoadas, podem matar milhares e causar prejuízos de bilhões de dólares. E nada, absolutamente nada, consegue detê-las. Será que essas forças da natureza estarão eternamente fora de nosso controle? Eu e meus colegas de pesquisa achamos que não. Queremos aprender a empurrar os furacões para rotas mais convenientes ou neutralizá-los. Embora esse objetivo provavelmente esteja a décadas de distância, nossos resultados mostram que não é cedo demais para estudar as possibilidades.
Para começar a pensar em controlar furacões, os pesquisadores terão de prever com muita exatidão o curso de uma tempestade, identificar as alterações físicas (na temperatura do ar, por exemplo) que influenciam seu comportamento e encontrar meios de provocar mudanças. Esse trabalho ainda está engatinhando, mas simulações feitas em computador nos últimos anos indicam que essas modificações um dia serão factíveis. E exatamente o que torna qualquer previsão do tempo tão difícil - a extrema sensibilidade da atmosfera a pequenos estímulos - pode ser a chave para controlar os violentos ciclones tropicais. Nossa primeira tentativa de influenciar o curso de um furacão simulado, fazendo pequenas mudanças no estado inicial da tempestade, por exemplo, mostrou-se bastante positiva, e os resultados seguintes continuaram favoráveis.
Para entender por que os furacões e outras tempestades tropicais são suscetíveis à intervenção humana, é preciso compreender sua natureza e suas origens (ver ilustração nas págs. seguintes). Os furacões nascem como um conjunto de tempestades sobre oceanos equatoriais. Os mares tropicais fornecem permanentemente calor e água à atmosfera, produzindo ar quente e úmido sobre a superfície. Quando esse ar se eleva, o vapor presente nele se condensa formando nuvens e causando precipitação. A condensação libera calor - o calor utilizado para fazer a água da superfície do oceano evaporar. O calor latente de condensação deixa o ar mais leve, o que o faz subir ainda mais, num processo de auto-reforço conhecido como feedback positivo. Finalmente, a depressão tropical começa a se organizar e se fortalecer, formando o famoso olho do furacão - o centro calmo em torno do qual a tempestade gira. Quando o furacão alcança a terra, as fontes de água e calor que o sustentam são cortadas, o que leva a seu rápido enfraquecimento. |