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Reportagem |
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| edição 70 - Março 2008 |
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| Gelo Inquieto |
| Água líquida abundante descoberta sob os maiores mantos de gelo do mundo pode intensificar o efeito desestabilizador do aquecimento global. Mesmo sem se dissolver, enormes volumes de gelo podem mergulhar no mar e elevar seu nível de forma catastrófica |
| por Robin E. Bell |
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SEBASTIAN COPELAND, www.antarcticabook.com |
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| ENORMES PLATAFORMAS FLUTUANTES ao largo da península Antártica marcam o fim de um grande deslizamento de gelo. O movimento começa com nevascas no interior do continente. A neve se compacta formando gelo e lentamente se desloca para as bordas do continente, de onde mergulha no oceano. À medida que as mudanças climáticas aceleram o colapso de plataformas, também estimulam esse movimento rumo ao mar |
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Enquanto nosso laboratório aéreo de pesquisa, o P-3, sobrevoava a superfície gelada do mar de Weddell, eu estava grudada ao chão. Deitada de bruços observava atentamente através da vigia inferior focas, pingüins e icebergs se aproximando e se afastando do campo de visão. De uma altura de 150 metros tudo parecia reduzido, exceto as enormes plataformas de gelo – aparentemente intermináveis, flutuando no oceano Austral que envolve todo o continente antártico.
Em meados dos anos 80 todos os nossos vôos eram de reconhecimento: dispúnhamos de 12 horas no ar, desde a saída da base, no sul do Chile. Esse tempo era mais que suficiente para discutir com os pilotos eventuais pousos forçados nas plataformas de gelo. Não era conversa fiada. Mais de uma vez perdemos um de nossos quatro motores, e em 1987 uma rachadura imensa foi vista durante muito tempo ao longo da borda da plataforma de gelo Larsen B, fora da península Antártica – deixando claro que, no caso de um pouso de emergência, o contato com o solo não seria suave.
A rachadura também nos fez pensar: estaria o oceano abaixo dessas plataformas de gelo suficientemente aquecido para permitir que elas se rompessem, mesmo que tivessem permanecido estáveis por mais de 10 mil anos? |
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NA INTERNET A Antártida nunca foi vista em tantos detalhes como no novo mapa digital que combina 1.100 imagens de satélite em um único mosaico, sem emendas, de todo o continente. Confira em http://lima.usgs.gov |
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| Robin E. Bell é diretora do programa Advance do Instituto da Terra, da Columbia University. É também pesquisadora sênior do Observatório da Terra Lamont-Doherty da mesma universidade, onde dirige um amplo programa de investigação na Antártida. Bell estuda o mecanismo do colapso de plataformas de gelo, assim como os ambientes frígidos situados abaixo do manto de gelo antártico. Liderou sete expedições à Antártida. É presidente do comitê de pesquisa polar da National Academies e foi vice-presidente do grupo internacional de planejamento do Ano Polar Internacional. |
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