Reportagem
  
edição 70 - Março 2008
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Gelo Inquieto
Água líquida abundante descoberta sob os maiores mantos de gelo do mundo pode intensificar o efeito desestabilizador do aquecimento global. Mesmo sem se dissolver, enormes volumes de gelo podem mergulhar no mar e elevar seu nível de forma catastrófica
por Robin E. Bell
[continuação]

O IPY oferece uma excelente oportunidade de respostas. Com mobilização de grupos científicos internacionais e a logística adequada, os pesquisadores poderão programar uma nova geração de radares aéreos para mapear a água subglacial. Novos instrumentos de gravidade serão adaptados para avaliar o volume de água dos lagos subglaciais. Medidas precisas da elevação da superfície do gelo permitirão monitorar o movimento da água. Sismógrafos instalados recentemente estarão atentos aos terremotos glaciais.

Na Groenlândia os glaciólogos vão instalar instrumentos para medir o movimento do manto de gelo através das maiores geleiras de descarga. O Center for the Remote Sensing of Ice Sheets, em Lawrence, no Kansas, vai fornecer um veículo aéreo não-tripulado para mapear sistematicamente a água na base do manto de gelo. No leste da Antártida, meu grupo vai colocar no ar o Twin Otter (Lontras Gêmeas) – um avião bimotor a hélice – que voará sobre os lagos Recovery e as montanhas Gamburtsev para descobrir por que os lagos se formam e como deslocam as correntes de gelo. Simultaneamente, um grupo formado por americanos e noruegueses, incluindo Ted Scambos, deverá cruzar os lagos Recovery, medir a velocidade do manto de gelo e o gradiente de temperatura ao longo do topo. Um grupo russo vai procurar obter amostras do lago Vostok; um grupo italiano se encarregará de estudar o lago Concórdia, no leste da Antártida; e um grupo britânico fará o levantamento de um lago nas montanhas Ellsworth no oeste da Antártida.

Todos esses esforços – em condições que continuam adversas para o trabalho humano – refletem o consenso e a urgência da comunidade científica internacional. Entender as mudanças que ocorrem nos mantos de gelo e como a água comanda essa dinâmica é crucial para o futuro de nossa sociedade.
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Robin E. Bell é diretora do programa Advance do Instituto da Terra, da Columbia University. É também pesquisadora sênior do Observatório da Terra Lamont-Doherty da mesma universidade, onde dirige um amplo programa de investigação na Antártida. Bell estuda o mecanismo do colapso de plataformas de gelo, assim como os ambientes frígidos situados abaixo do manto de gelo antártico. Liderou sete expedições à Antártida. É presidente do comitê de pesquisa polar da National Academies e foi vice-presidente do grupo internacional de planejamento do Ano Polar Internacional.
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