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Reportagem |
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| edição 70 - Março 2008 |
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| Gelo Inquieto |
| Água líquida abundante descoberta sob os maiores mantos de gelo do mundo pode intensificar o efeito desestabilizador do aquecimento global. Mesmo sem se dissolver, enormes volumes de gelo podem mergulhar no mar e elevar seu nível de forma catastrófica |
| por Robin E. Bell |
[continuação]
Mas acreditava-se que Vostok e outros lagos subglaciais eram museus naturais, isolados do resto do mundo há milhões de anos. Em 1997 o primeiro indício de que essas inundações subglaciais ainda ocorrem surgiu no oeste da Antártida. A superfície do manto de gelo cedeu mais de 50 cm em três semanas. A única explicação plausível era que a água de um lago subglacial estava sendo drenada, o que fazia a superfície de gelo. Nesse mesmo ano um grupo liderado por Duncan J. Wingham, da University College London, também mediu, durante todo o ano, as elevações sobre a maior parte do gelo leste da Antártida. Em determinada área, o gelo tinha cedido cerca de 3 metros em 16 meses, enquanto a cerca de 300 km montanha abaixo duas áreas tinham se elevado aproximadamente 1 metro. Uma vez mais a explicação era óbvia: um rio subglacial tinha retirado a água de um lago e sua correnteza havia preenchido dois lagos mais abaixo.
Há pouco mais de um ano Helen A. Fricker, do Scripps Institution of Oceanography, em La Jolla, Califórnia, estava analisando medidas precisas de elevações da superfície feitas pelo satélite ICESat. Pouco antes de Fricker se ausentar durante um fim de semana, um dos perfi s do manto de gelo divergiu radicalmente. Uma região ao longo da borda de uma das maiores correntes de gelo do oeste da Antártida havia colapsado uma queda de quase 10 metros em 24 meses. Ao voltar do fim de semana Fricker examinou a superfície de gelo em torno do novo lago, o lago Engelhardt – e percebeu imediatamente que esse era mais um de uma série de lagos subglaciais em cascata. Grandes quantidades de água escoando através do sistema de encanamentos, sob as maiores correntes de gelo, podem se tornar mais um agente de mudanças rápidas no fluxo de uma corrente de gelo.
Efeito Lago Mais ou menos na mesma época, com a suspeita de que lagos subglaciais poderiam afetar a estabilidade do manto de gelo, percebi que novas imagens de satélites facilitaram a localização desses lagos. Além disso, os modelos de mantos de gelo previam mais um conjunto de grandes lagos que ainda estava por ser descoberto e eu alimentava a expectativa de encontrá-los. Assim, com a ajuda de novas imagens e de dados de laser do ICESat, meus colegas e eu descobrimos quatro novos lagos subglaciais, três deles maiores que todos os outros juntos, exceto o Vostok. |
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| Robin E. Bell é diretora do programa Advance do Instituto da Terra, da Columbia University. É também pesquisadora sênior do Observatório da Terra Lamont-Doherty da mesma universidade, onde dirige um amplo programa de investigação na Antártida. Bell estuda o mecanismo do colapso de plataformas de gelo, assim como os ambientes frígidos situados abaixo do manto de gelo antártico. Liderou sete expedições à Antártida. É presidente do comitê de pesquisa polar da National Academies e foi vice-presidente do grupo internacional de planejamento do Ano Polar Internacional. |
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