Reportagem
  
edição 32 - Janeiro 2005
Jardins suspensos no sertão
No alto de elevações abastecidas por chuvas que vêm do litoral
por Arnóbio Cavalcante
No alto de elevações abastecidas por chuvas que vêm do litoral
A maior parte do território brasileiro é composto por poucas áreas extensas e relativamente homogêneas do ponto de vista ecológico.

São os chamados domínios paisagísticos, como o da Mata Atlântica e o das caatingas, que também incluem áreas de contato e de transição entre os seus trechos mais típicos e contínuos. Mas, aqui e ali, é possível vislumbrar no interior dos domínios algumas áreas que destoam dessa relativa uniformidade e que chegam a representar um grande contraste com o que está à sua volta.

Essas paisagens de exceção, como são chamadas, espalham-se por todo o Brasil. Entre elas, destacam-se os enclaves de florestas úmidas do semi-árido brasileiro, verdadeiras ilhas de Mata Atlântica em meio à caatinga, que só recentemente têm recebido atenção especial dos cientistas.

A biodiversidade dessas florestas úmidas do sertão ainda é muito pouco conhecida, mas é bem provável que guarde surpresas, seja por seu longo isolamento (uma das principais receitas da Natureza para produzir novas espécies), seja por terem pertencido originalmente a um dos biomas mais diversificados da Terra. Além disso, esses enclaves, por sua composição de espécies, podem guardar relíquias da época em que, supostamente, Mata Atlântica e Amazônia eram uma única grande floresta.
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