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Reportagem |
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| edição 76 - Setembro 2008 |
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| Mecanismos que deflagram a enxaqueca |
| Biólogos finalmente começam a desvendar os mistérios da enxaqueca, do prenúncio à dor |
| por David W. Dodick e J. Jay Gargus |
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DETROIT FREE PRESS/MCT/LANDOV |
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Para mais de 300 milhões de pessoas que sofrem de enxaqueca, a dor lancinante característica dessa cefaléia debilitante dispensa descrição. Para os que não sofrem com ela a comparação análoga mais próxima talvez seja o mal-estar severo provocado pela altitude: náusea, fotossensibilidade extrema, e uma cefaléia insuportável. “O fato de não se morrer de enxaqueca, para aquele que experimenta o auge de sua crise, soa como um bênção ambígua”, escreveu Joan Didion, em 1979, no conto In bed (Na cama), de sua coletânea The white album.
Registros históricos indicam que essa doença está entre nós há pelo menos 7 mil anos e continua uma das mais incompreendidas, menos reconhecidas e mais inadequadamente tratadas condições médicas. De fato, muitos não buscam tratamento para pôr fim à sua agonia, certos de que os médicos não podem fazer muita coisa ou que se mostrarão céticos e hostis. Didion escreveu In bed há quase 3 décadas, mas alguns médicos continuam tão insensíveis hoje quanto à época, ou seja: “Se não tenho um tumor cerebral, nem cansaço ocular, nem hipertensão, então, está tudo bem comigo: eu simplesmente sofro de enxaqueca e cefaléia; e enxaqueca e cefaléia, como todos sabem, são imaginárias”.
A enxaqueca, finalmente, começa a receber a atenção que merece. E parte dessa atenção é resultado de estudos epidemiológicos que revelaram o quanto essas cefaléias são incapacitantes: um relatório da Organização Mundial da Saúde descreveu a enxaqueca como uma das quatro doenças crônicas mais comprometedoras. E uma outra preocupação se deve ao reconhecimento de que essas cefaléias e suas conseqüências custam à economia americana, por exemplo, US$ 17 bilhões por ano, para cobrir faltas no trabalho e despesas médicas.
Grande parte do crescente interesse é resultado das novas descobertas genéticas, do imageamento do cérebro e da biologia molecular. Embora de natureza bem distinta, essas descobertas parecem convergir e reforçam umas as outras, trazendo esperanças aos pesquisadores de poder determinar a fundo as causas da enxaqueca e desenvolver terapias avançadas para preveni-la ou conter o seu ataque. |
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| David W. Dodick e J. Jay Gargus compartilham profundo interesse em compreender e amenizar a enxaqueca. Dodick, professor de neurologia da Clinica Mayo, no Arizona, formou-se médico pela Dalhousie University, em Halifax, Nova Escócia. Pesquisa anormalidades do sistema nervoso central por trás da enxaqueca e outras formas de cefaléia. Gargus, professor de fisiologia, biofísica e genética humana da University of California, Irvine, tem doutorado em medicina pela Yale University. Pesquisa as bases genéticas da enxaqueca e outros distúrbios do canal iônico. |
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