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Reportagem |
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| edição 72 - Maio 2008 |
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| Metamorfose |
| O declínio mundial dos anfíbios é agravado pela desconexão entre o hábitat aquático dos girinos e o hábitat terrestre dos adultos, induzida pelas atividades humanas |
| por Carlos Roberto Fonseca, Carlos Guilherme Becker, Célio Fernando Baptista Haddad e Paulo Inácio Prado |
| [OUTRAS AMEAÇAS] POLUIÇÃO E RADIAÇÃO COMPROMETEM O HÁBITAT |
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CARLOS GUILHERME BECKER |
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| RIACHO EM ÁREA DESMATADA. O assoreamento e o uso de agrotóxicos comprometem a sobrevivência de larvas aquáticas. |
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PERDA E FRAGMENTAÇÃO DE HÁBITAT A perda e a fragmentação dos hábitats naturais são freqüentemente apontadas como as principais ameaças aos anfíbios. A perda de hábitat reduz diretamente a área e distribuição geográfica das espécies, reduzindo os seus tamanhos populacionais. A fragmentação dificulta o fluxo gênico entre as populações, levando a endocruzamento e perda de diversidade genética a longo prazo. Somente em 34 áreas prioritárias para conservação da biodiversidade mundial, os chamados hotspots de biodiversidade, mais de 2.800 espécies endêmicas sofrem com a perda da vegetação natural.
POLUENTES Juntamente com a destruição da vegetação natural, o uso extensivo dos pesticidas e fertilizantes ameaça os anfíbios. Herbicidas como a Atrazina e o Roundup apresentam comprovados efeitos negativos nos anfíbios de larvas aquáticas, provocando feminização nas populações e diminuindo as taxas de sobrevivência dos indivíduos, principalmente no início do ciclo de vida. Agroquímicos aplicados localmente podem ser transportados pela atmosfera por grandes distâncias, e seus efeitos nos anfíbios podem ser sentidos até mesmo em regiões aparentemente livres de infl uência humana direta. Outra ameaça potencial aos anfíbios é a chuva ácida, uma vez que embriões e larvas são muito vulneráveis aos efeitos do baixo pH. Os contaminantes químicos também são apontados como principais responsáveis pelo aumento das taxas de deformidades em sapos, rãs e salamandras. Indivíduos com más-formações ocorrem principalmente em áreas agrícolas onde inseticidas e fertilizantes são aplicados extensivamente.
DOENÇAS EMERGENTES Mortalidades em massa observadas em populações de anfíbios em várias regiões do mundo são evidências de que as doenças desempenham um papel importante na viabilidade das populações dos sapos. Fungos, vermes trematódeos e vírus têm sido apontados como as principais ameaças. O patógeno mais ameaçador aos anfíbios é sem dúvida o fungo Batrachochytrium dendrobatidis, causador da quitridiomicose, doença emergente conhecida por dizimar populações inteiras de anfíbios, inclusive em regiões com vegetação intacta. Essa doença está associada a declínios populacionais drásticos em várias espécies de anfíbios principalmente nas Américas, Oceania e Europa. |
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