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Reportagem |
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| edição 72 - Maio 2008 |
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| Metamorfose |
| O declínio mundial dos anfíbios é agravado pela desconexão entre o hábitat aquático dos girinos e o hábitat terrestre dos adultos, induzida pelas atividades humanas |
| por Carlos Roberto Fonseca, Carlos Guilherme Becker, Célio Fernando Baptista Haddad e Paulo Inácio Prado |
| [OUTRAS AMEAÇAS] POLUIÇÃO E RADIAÇÃO COMPROMETEM O HÁBITAT |
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CARLOS GUILHERME BECKER |
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| DRENAGENS DESFLORESTADAS. A floresta remanescente permanece apenas no topo dos morros na Mata Atlântica. Município de São Luís do Paraitinga (SP). |
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INTRODUÇÃO DE ESPÉCIES EXÓTICAS Muitas espécies vêm sendo introduzidas em locais onde não ocorriam originalmente. Livres de seus predadores, as espécies exóticas são consideradas a segunda maior causa mundial de extinção da diversidade biológica, atrás apenas da destruição dos hábitats pelo homem. Uma série de evidências aponta para os efeitos nocivos das espécies exóticas para os anfíbios. Plantas invasoras modificam os ecossistemas terrestres e as margens dos ecossistemas aquáticos, alterando a dinâmica da cadeia alimentar dos sapos. Anfíbios são predados em ambientes aquáticos por peixes introduzidos e até mesmo por outras espécies exóticas de anfíbios, como a rã-touro. Essa rã, de origem norte-americana, que vem se espalhando por toda a Mata Atlântica, tem se mostrado uma grande ameaça às populações nativas de sapos, rãs e pererecas.
RADIAÇÃO UV-B A destruição da camada de ozônio principalmente pelo uso de clorofluorocarbonos (CFCs) tem aumentado significativamente a radiação UV-B (comprimento de onda 280-315 nm), especialmente em grandes latitudes. Nos anfíbios, o aumento da radiação UV-B pode retardar as taxas de crescimento, causar problemas no sistema imunológico e ainda uma série de ameaças não-letais, incluindo mudanças no comportamento dos animais e más-formações durante o período de desenvolvimento.
MUDANÇAS CLIMÁTICAS À medida que os efeitos catastróficos do aquecimento global vêm se tornando cada vez mais claros, muitas espécies vêm sendo forçadas a se retirar de cena para sempre. Mudanças nos padrões climáticos, como a altitude média do banco de nuvens, podem transformar uma região montanhosa originalmente úmida em uma região seca. No caso dos anfíbios, as alterações climáticas podem mudar até mesmo a dinâmica de muitas doenças que os infectam. Tomando um exemplo trágico, estima-se que quase 70% das 110 espécies de Atelopus, que são anfíbios endêmicos dos trópicos americanos, vêm sofrendo drásticos declínios populacionais associados a um surto de quitridiomicose promovido por mudanças climáticas na região estudada. |
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