Reportagem
  
edição 20 - Janeiro 2004
Mistérios ainda não decifrados da Lua
Recentes missões lunares mostram que ainda há muito que aprender sobre o satélite da Terra
por Paul D. Spudis
O pólo sul da Lua é mostrado neste mosaico de 1.500 imagens feitas pela câmera ultravioleta/vísivel da nave espacial Clementine em 1994. O pólo está no centro do mosaico: a latitude lunar de 70 graus sul está na margem. Tanto os orbitadores Clementine como o Lunar Prospector encontraram evidências de gelo de água nas pareas permanentemente sombreadas próximas dos pólos lunares
Embora o satélite da Terra seja o primeiro objeto planetário a ser explorado por naves espaciais e o único corpo a ser visitado por astronautas, os cientistas ainda têm muitas questões não respondidas acerca da sua história, composição e estrutura interna. Em anos recentes, os pesquisadores têm solicitado a exploração renovada da Lua: a Agência Espacial Européia (Esa) e o Japão planejam colocar sondas em órbita lunar, e a Nasa considera pousar uma nave não tripulada na face oculta da Lua. Ao estudá-la, essas missões podem também iluminar a história de todos os rochosos planetas no sistema solar interior: Mercúrio, Vênus, Marte e especialmente a Terra. Como a superfície da Lua tem permanecido relativamente imutável nos últimos 3 bilhões de anos, o satélite pode guardar a chave do conhecimento de como os planetas interiores se formaram e evoluíram.

Quando os astrônomos espiaram pela primeira vez a Lua através de telescópios, há 400 anos, descobriram que sua superfície consiste de dois tipos principais de terreno: terras altas acidentadas, cheias de crateras, e terras baixas escuras, com poucas crateras. Galileu Galilei, o inventor do telescópio, chamou as terras baixas de maria – marés em latim – por sua aparência lisa e escura. Uma das maiores surpresas da era espacial veio em 1959, quando a nave soviética Luna 3 fotografou a face oculta da Lua, que nunca havia sido vista porque está sempre virada para o lado oposto à Terra. As fotografias mostraram que nela faltam quase completamente as terras escuras que são dominantes no lado visível. Embora os cientistas tenham agora algumas teorias que poderiam explicar a dicotomia de terreno, o enigma permanece.

A análise das rochas lunares e do solo trazidos à Terra pelos astronautas da Apollo e pelos alunissadores não tripulados permitiram aos pesquisadores obter um vislumbre da evolução da Lua. A evidência sugere que a Lua foi criada cerca de 4,5 bilhões de anos atrás, quando um corpo de tamanho comparável a Marte bateu na Terra primitiva. A colisão esguichou rocha vaporizada em órbita ao redor da Terra, e esses pequenos corpos coalesceram rapidamente, formando a Lua. Eles se acumularam tão rápido que o calor gerado pelo processo derreteu a porção exterior da lua nascente e formou um oceano global de rocha líquida ou magma. A crosta lunar formou-se então de materiais de baixa densidade que flutuaram na superfície do oceano de magma.
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Paul D. Spudis é membro profissional sênior do Applied Physics Laboratory da Johns Hopkins University. Desde 1982 ele é o pesquisador principal do Planetary Geology Program do Office of Space Science da Nasa, especializando-se na pesquisa dos processos de impacto e vulcanismo dos planetas. De 1980 a 1990 ele foi geólogo do ramo de astrogeologia do U.S. Geological Survey, e de 1990 a 2002, cientista do Lunar and Planetary Institute em Houston. Foi vice-líder da equipe de ciência da missão Clementine à Lua, do U.S. Department of Defense.
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