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Reportagem |
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| edição 17 - Outubro 2003 |
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| Mitos e sinais das unhas |
| A unha, objeto de numerosas crenças, torna-se uma fonte de informações médicas e médico-legais. |
| por Robert Baran |
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| Conforme as épocas e os meios, as unhas são longas ou curtas. Para os chineses, as unhas longas são sinal de distinção |
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Em meio a um deserto de areias e rochas, a descoberta de uma mastaba, em 1964, na necrópole de Saqqarah, Egito, trouxe revelações surpreendentes. Ali estavam as tumbas de Niânkhkhnoum e Khnoumhotep, que viveram na V dinastia do antigo Império, em 2400 a.C. Segundo as inscrições nas paredes, os dois irmãos eram encarregados das manicures do faraó.
A descoberta comprova como, desde a mais remota Antigüidade, as unhas têm sido objeto de cuidados especiais. Presentes em rituais e diversas crenças ancestrais, as unhas também foram utilizadas em poções de amor ou receitas miraculosas, capazes de livrar os doentes de seus tormentos. Embora as fórmulas à base de unhas não constituam uma terapia comprovada, médicos e legistas atualmente recorrem a elas em busca de sinais do corpo. As Virtudes das Unhas
GEORGES ACHTEN COMPAROU A UNHA a um "semipêlo ignorado". Sua composição é próxima à dos pêlos e cabelos, mas há várias diferenças. Enquanto o cabelo sofre os caprichos de um ciclo evolutivo - os fios crescem, caem e perdem a cor -, a unha está submetida a um monótono crescimento. Seu surgimento se dá ao final do quarto mês de vida intra-uterina e, após o nascimento, a unha da mão cresce cerca de 1 mm a cada dez dias e a do pé, a metade disso. A velhice desacelera o crescimento, que finalmente se detém na morte, contrariando algumas idéias infundadas segundo as quais o tecido continua a crescer após a morte.
Todos os vertebrados superiores têm unhas. Nos pássaros e carnívoros, elas tornam-se garras, e nos ungulados como, por exemplo, os ruminantes, transformam-se em cascos. Apenas os homens e os primatas possuem unhas planas. Este apêndice desempenha várias funções. Ele protege a extremidade vulnerável dos dedos contra os choques e o frio e permite uma apreensão precisa dos objetos pequenos. A unha, considerada uma ferramenta, agarra, arranha, belisca mas, principalmente, assegura uma sensibilidade tátil. Quando pegamos um objeto, a unha detecta as informações táteis que permitem aos dedos ajustar sua pressão à natureza do objeto em questão. Na ausência da unha, dizemos que o dedo está cego. Um gesto simples como abotoar a roupa pode tornar-se tão desajeitado sem esse tecido que o resultado fica comprometido. Em tradições hoje abandonadas, as parteiras na Itália e na França afiavam a unha de um dos dedos polegares e a usavam para cortar o cordão dos recém-nascidos. |
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| Robert Baran antigo chefe do serviço de dermatologia do Centre Hospitalier de Cannes, fundou o Observatoire national de l\\'onychomycose e criou o primeiro centro de diagnóstico e tratamento das doenças das unhas. |
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