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Reportagem |
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| edição 18 - Novembro 2003 |
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| Músculos Artificiais |
| Novos dispositivos geradores de movimento - atuadores, motores, geradores - baseados em polímeros que mudam de forma quando estimulados eletricamente estão perto de ser comercializados. |
| por Steven Ashley |
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| FLEX, O ROBÔ SEMELHANTE A UM INSETO,caminha com pernas movidas por músculos artificiais |
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É apenas um brinquedo de US$ 100 - um aquário de peixes robóticos desenvolvido pela japonesa Eamex. O extraordinário é que os peixes de cores vibrantes que se movem na água, numa imitação razoável de um ser vivo, são desprovidos de partes mecânicas - não há motores, eixos de acionamento, engrenagens ou mesmo bateria. Os peixes nadam porque suas entranhas de plástico se flexionam para a frente e para trás, aparentemente por vontade própria. São os primeiros produtos comerciais fabricados utilizando uma nova geração de polímeros eletroativos incrementados (EAPs, na sigla em inglês), plásticos que se movimentam em resposta à eletricidade.
Durante décadas, os engenheiros que constroem atuadores, ou dispositivos geradores de movimento, buscaram um equivalente artificial dos músculos. Simplesmente alterando seu comprimento em resposta a estímulos nervosos, os músculos são capazes de exercer quantidades controladas de força suficiente para piscar os olhos ou praticar levantamento de peso. Os músculos também têm a propriedade da invariância de escala: seu mecanismo funciona com a mesma eficácia para todos os tamanhos, razão pela qual basicamente o mesmo tecido muscular dá força tanto a insetos quanto a elefantes. Assim, algo semelhante à força muscular pode ser útil para acionar dispositivos para os quais não é fácil construir motores elétricos minúsculos.
Os EAPs contêm a promessa de se tornarem os músculos artificiais do futuro. Os pesquisadores já estão trabalhando ambiciosamente em alternativas baseadas nessa geração de polímeros para muitas tecnologias atuais. E eles não têm medo de confrontar as criações da Natureza com suas próprias. Muitos anos atrás, Yoseph Bar-Cohen, do Jet Propulsion Laboratory-JPL, em Pasadena, Califórnia, lançou um desafio à comunidade pesquisadora de polímeros eletroativos para aumentar o interesse pela área. O desafio transformou-se em uma iniciativa visando oferecer um prêmio em dinheiro ao primeiro grupo que construísse um braço robótico movido por EAP e capaz de derrotar um humano numa queda-de-braço.
Talvez a mais promissora das iniciativas atuais em EAP seja a do SRI International, laboratório de pesquisas que atua sob contrato e sem fins lucrativos, sediado em Menlo Park, Califórnia. Em poucos meses, a direção do SRI pretende obter o financiamento inicial de US$ 4 milhões a US$ 6 milhões necessário para abrir uma empresa e comercializar a tecnologia EAP patenteada pelo próprio laboratório. Desde já, o SRI está trabalhando em função de meia dúzia de contratos de P&D com o governo norte-americano e com empresas nos setores de brinquedos, automóveis, eletrônica, produtos médicos e calçados para trazer os músculos artificiais ao mercado. |
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| Steven Ashley é editor da SCIENTIFIC AMERICAN. |
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