|
 |
|
 |
|
 |
|
 |
|
|
|
 |
Reportagem |
|
|
| edição 35 - Abril 2005 |
 |
|
| Na estrada dos carros a Hidrogênio |
| Embora frotas de protótipos com células a combustível estejam chegando às ruas, será preciso superar obstáculos técnicos e mercadológicos para que os carros “verdes” sejam vendidos em concessionárias. |
| por Steven Ashley |
 |
|
 |
| Frotas de protótipos de carros movidos por células a combustível, como o F-Cell, da Daimler Chrysler, estão atualmente sendo submetidas a testes de percurso |
 |
As lombadas eletrônicas em estradas da Alemanha parecem ser as únicas coisas capazes de tirar o sorriso do rosto de Rosario Berretta. “Por favor, vá mais devagar aqui”, murmura, quando nosso veículo se aproxima de uma delas. Berretta lidera uma equipe que está preparando uma frota de 60 carros da DaimlerChrysler movidos por células a combustível, o F-Cell, para testes em todo o mundo. O objetivo é permitir que os fabricantes automobilísticos avaliem os veículos eficientes e não-poluentes em diferentes condições de percurso. O engenheiro está ansioso para que os visitantes sintam a rápida arrancada do F-Cell, que é uma das vantagens de ter um motor elétrico. Apesar de seu sistema de propulsão de alta tecnologia, o F-Cell tem a aparência de um Toyota Corolla, um Ford Focus ou qualquer outro pequeno carro convencional. A única coisa fora do comum é o ruído não familiar de um compressor – barulho que os engenheiros da companhia prometem conseguir abafar em breve.
A DaimlerChrysler não está sozinha na busca pelo veículo limpo mais moderno. Depois de uma década de esforços concentrados em pesquisa e desenvolvimento (P&D), a indústria automobilística mundial ultrapassou um marco, com a chegada dos primeiros carros com células a combustível aparentemente viáveis. Vinte dos mais recentes FCX da Honda e 30 dos FCV compactos da Ford movidos por células a combustível logo estarão nas ruas. Trinta ônibus DaimlerChrysler estão trafegando nas ruas de 10 cidades européias e outros três em breve estarão em serviço na China e na Austrália.
Enquanto isso, quase todas as outras montadoras – especialmente General Motors e Toyota, mas também Nissan, Renault, Volkswagen, Mitsubishi e Hyundai – estão operando pelo menos alguns protótipos, um sinal do grande volume de dinheiro que os fabricantes investem no aperfeiçoamento dessa tecnologia. Existem hoje entre 600 e 800 veículos de células a combustível sendo testados no mundo. E já surgiram empresas para desenvolver e fornecer componentes para construir os protótipos. Se tudo correr bem, será o marco de meio caminho andado rumo à comercialização de carros com células a combustível no início da próxima década.
O que impulsionou o avanço foram os limites cada vez mais rigorosos das leis contra poluição, as previsões de escassez de petróleo em prazo relativamente curto e uma possível catástrofe de aquecimento global provocada pelos gases que causam o efeito estufa. A indústria automobilística e governos nacionais investiram dezenas de bilhões de dólares nos últimos dez anos para transformar em realidade uma tecnologia de propulsão limpa e eficiente com o objetivo de substituir o velho motor de combustão interna (CI) (ver “Um futuro limpo”, por L. D. Burns, J. B. McCormick e C. E. Borroni-Bird; SCIENTIFIC AMERICAN BRASIL, novembro de 2002). Críticos, entretanto, questionam o interesse da indústria em produzir um carro realmente “verde”, e se esse esforço de P&D é suficiente para gerar sucesso a curto prazo. Executivos de montadoras respondem que não prevêem, a longo prazo, nenhuma opção melhor do que os veículos com células a combustível, porque as alternativas práticas, como veículos híbridos (que combinam motores de CI com baterias eletroquímicas), continuariam a emitir CO2 e poluentes. |
|
1 2 3 4 5 6 » |
| Steven Ashley é editor da SCIENTIFIC AMERICAN. |
|
|
|
|
|
|
|
|